Área de milho deve cair 1,11% em SC na safra 2019/20 – Faesc

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     Porto Alegre, 1 de outubro de 2019 – A área cultivada com milho verão em Santa Catarina deverá ocupar 326,183 mil hectares, apresentando um declínio de 1,11% na safra 2019/20 na comparação com os 329,872 mil hectares plantados na temporada anterior, de acordo com o vice-presidente da Federação da Agricultura de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, que concedeu entrevista exclusiva à Agência SAFRAS, comentando os dados projetados pelo Epagri/Cepa.

     Enori destaca que área no estado vem recuando ano após ano, perdendo espaço para a soja, o que só contribui para o aumento no déficit de oferta do cereal para atender aos segmentos de aves e suínos catarinenses. “O consumo no estado chega a 6,5 milhões de toneladas, enquanto a expectativa é de que sejam colhidas 2,7 milhões de toneladas com o cereal, abaixo das 2,791 milhões de toneladas registradas na safra verão do ano passado. Isso leva o estado a ter que importar quase 4 milhões de toneladas a cada ano”, pontua.

     O rendimento médio esperado para o milho na próxima safra é de 8.277 quilos por hectare, também abaixo dos 8.461 quilos por hectare registrados na temporada anterior. “O cultivo de milho é altamente tecnificado no estado e os investimentos devem ser mantidos na próxima safra”, comenta.

     Barbieri mostra preocupação com a possiblidade de haver falta de milho no começo do próximo ano. “O Brasil colheu uma safra recorde, de 100 milhões de toneladas de milho, com 76 milhões de toneladas na safrinha. O problema é que a safra de verão tende ficar abaixo das 25 milhões de toneladas colhidas na 1a 2018/19, por conta dos atrasos provocados no plantio pela falta de chuvas. O plantio em Santa Catarina e em outras regiões do Centro-Oeste está atrasado em 30 dias, o que deve acabar retardando o início do plantio de soja e, também, da safrinha”, explica.

     Barbieri afirma que com o consumo subindo de 60 milhões de toneladas para 65 milhões de toneladas e, com uma exportação alcançando quase 40 milhões de toneladas de milho neste ano, o estoque de passagem ficará bastante apertado no Brasil, “Como há dois anos o Ministério da Agricultura não precisou adotar uma política pública para compra de milho, os estoques da Companhia Nacional de Abastecimento estão praticamente zerados, o que acabará fazendo com que Santa Catarina tenha de buscar o cereal de outros países, como Argentina e Paraguai”, disse.

     Barbieri aposta que o primeiro semestre do próximo ano deverá ter uma oferta muito ajustada, com preços possivelmente mais altos para o cereal e uma demanda aquecida. “Temos orientado os produtores a tentar fazer uma compra antecipada do cereal, pelo fato do governo não dispor de estoques”, ressalta.

     O dirigente salienta que apesar de haver esse atraso inicial no cultivo do milho, que geralmente começa ainda em agosto, o clima tende a ser favorável ao desenvolvimento da safra de verão catarinense. “Temos tentado incentivar um cultivo maior de milho em Santa Catarina, mas infelizmente não existem políticas públicas visando um atrativo que leve o produtor rural a ampliar as áreas de cultivo. Vemos um exemplo positivo neste sentido no Mato Grosso, que tem incentivado a produção e etanol à base de milho”, compara.

     Barbieri disse que o produtor catarinense está bem capitalizado para a próxima safra, com os produtores optando por mais pelo financiamento próprio do que buscando o crédito oficial, através do apoio das cooperativas. Em termos de entrega de fertilizantes, não houve grandes atrasos, ainda que os custos tenham aumentado frente à temporada passada diante do fator cambial.

     Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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