Área de soja em MS deve crescer 6,18% na safra 2019/20 – Famasul

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     Porto Alegre, 2 de outubro de 2019 – A área plantada com soja em Mato Grosso do Sul deverá crescer 6,18% na temporada 2019/20, alcançando 3,163 milhões de hectares, segundo informou o gerente da Unidade Técnica do Sistema Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), José Pádua, em entrevista à Agência SAFRAS.

     Conforme Pádua, essa tendência de aumento se deve pela oferta de novas áreas que hoje estão ocupadas por pastagens com modelos de produção de pecuária extensiva, sendo em sua maioria áreas em processo de degradação. “Ao mesmo tempo, o mercado aquecido e o valor atrativo pago pela saca de soja tem motivado a expansão das áreas”, explica.

     A analista técnica do Sistema Famasul, Tamiris Azóia, ressalta que a chegada da primavera marca o início do período chuvoso em Mato Grosso do Sul, com o clima apresentando um quadro de neutralidade, após o término do ciclo de El Niño. “No entanto, há previsão de atraso no início das chuvas, que devem se estabelecer apenas nos primeiros dias deste mês de outubro. Apesar do atraso, de acordo com o prognóstico climático de primavera 2019 do INPE, a previsão para o clima do Centro-Oeste é de chuva e temperatura ligeiramente acima da média, sendo favorável para uma boa produção de soja na temporada 2019/20”, informa.

     Tamiris comenta que após o encerramento do vazio sanitário em Mato Grosso do Sul, em 15 de setembro, e, com os insumos já entregues nas propriedades, os produtores esperam a regularidade das chuvas e boas condições de umidade no solo para iniciarem o plantio.

     A analista destaca que o produtor de Mato Grosso do Sul está bem capitalizado neste momento, ainda que a safra de soja 2018/19 tenha apresentado uma queda na produção devido às adversidades climáticas, compensada pela safrinha de milho positiva em boa parte do estado.

     Adriana informa que os produtores mantiveram bons investimentos em tecnologia para o plantio da soja. “Os produtores buscaram cultivares adequadas para cada microrregião, boa adubação e calagem em taxas variáveis, adoção de práticas sustentáveis de manejo e conservação de solo, bem como um crescente manejo integrado de pragas”, detalha.

     A analista acrescenta que até o momento, nas propriedades que o projeto Siga MS acompanhou no período de pré-plantio, as entregas de fertilizantes e sementes estão dentro da normalidade.

     Adriana sinaliza que o produtor rural que se preparou e fez o planejamento adequado terá um ambiente favorável para a concessão do crédito. “O mercado financeiro brasileiro oferece várias linhas de financiamento rural, dada a relevância que a agricultura e a pecuária desempenham na economia do país”, disse.

     No que tange à comercialização antecipada da soja, tomando como base dados de corretoras, a analista técnica do Sistema Famasul, Bruna Dias, afirma que o estado de Mato Grosso do Sul negociou aproximadamente 25% da safra soja 2019/20.

     Conforme Bruna, o produtor rural que planejou antecipadamente sua safra não sofrerá grandes impactos com o tabelamento dos fretes do transporte rodoviário de carga. “A livre concorrência não impacta nos aumentos progressivos dos custos com o transporte da produção. Por outro lado, a valorização do dólar elevou as cotações da soja no mercado interno, pressionando os custos dos insumos importados”, afirma.

     A respeito do mercado, Bruna entende que um fator determinante para o produtor será acompanhar de perto os desdobramentos do impasse comercial entre China e EUA. “Ambos buscam continuar sinalizando a tentativa de um consenso, porém a demanda chinesa ainda segue focada na oleaginosa brasileira. Outros fatores que podem influenciar o mercado são os efeitos da peste suína na China e os resultados da safra dos EUA, os quais exigem um monitoramento constante”, finaliza.

     Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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