Milho teve setembro de preços mais altos com apreensão climática

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     Porto Alegre, 04 de outubro de 2019 – O mercado brasileiro de milho apresentou preços mais altos no mês de setembro. As cotações avançaram de forma generalizada entre as principais praças, refletindo uma oferta restrita por parte dos produtores. O mercado doméstico descolou-se significativamente da influência das cotações da Bolsa de Chicago (CBOT) e do câmbio, devido à preocupação com o clima seco para o plantio da safra de verão.

      O clima foi o aspecto marcante em setembro no mercado brasileiro de milho. As altas temperaturas e falta de chuvas sobre regiões produtoras geraram o atraso inicial do plantio da soja e do milho. Isso pode trazer prejuízo à safra de verão e repercutir na safrinha de milho também. Além da primeira safra (verão) poder ter quebra para o cereal, o atraso no plantio da soja pode afetar a semeadura futura da segunda safra de milho e isso redundar numa menor produção.

     Diante desse cenário de apreensão, o produtor se retraiu e reteve a oferta do milho em setembro. Com a necessidade de abastecimento do comprador, pouco a pouco os preços do milho foram avançando no mês, se descolando da marcante influência da Bolsa de Chicago e do câmbio. Assim, mesmo em momentos em que o milho caia na Bolsa e/ou que o dólar baixava, o mercado doméstico mantinha-se sustentado pela oferta curta.

     É determinante destacar a importância das amplas exportações brasileiras como fator de suporte aos preços. Em setembro, os embarques seguiram muito fortes e esse bom escoamento da oferta para o exterior, enxugando a disponibilidade interna do cereal, garantiu sustentação às cotações.

     Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de milho em setembro chegaram a 6,501 milhões de toneladas. Houve queda de 15% nos embarques no comparativo com agosto, mês imediatamente anterior, quando as vendas externas de milho atingiram 7,644 milhões de toneladas. Mas, setembro teve incremento de 93,4% nas exportações totais no comparativo com o mesmo mês de 2018, quando foram embarcadas 3.360.900 toneladas. Ou seja, as vendas seguem sólidas, com os compradores externos disputando o milho com os consumidores do mercado doméstico, o que promove a sustentação para os aumentos de preços verificados no país ao produtor.

     No Porto de Santos, na base de compra, o preço subiu do final de agosto para o fim de setembro de R$ 38,00 para R$ 41,00 a saca de 60 quilos, alta de 7,9%. Em Campinas/CIF, a cotação do milho, na base de venda, passou de R$ 38,50 para R$ 41,00 (+6,5%) no comparativo mensal. Já na Mogiana paulista, mercado subiu de R$ 36,00 a saca para R$ 38,00 na venda (+5,5%).

     Em Rio Verde, Goiás, no balanço mensal, o preço na venda passou de R$ 30,50 para R$ 32,00 a saca (+4,9%). Já em Uberlândia, Minas Gerais, a cotação avançou de R$ 36,00 para R$ 38,00 a saca na venda (+5,5%). Em Cascavel, no Paraná, o valor do milho subiu de R$ 33,80 para R$ 36,00 a saca na venda (+6,5%), e em Rondonópolis, Mato Grosso, preço subiu de R$ 29,00 para R$ 30,00 a saca na venda (+3,4%). Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o milho em setembro avançou de R$ 40,50 para R$ 42,00, representando uma alta de 3,7% no balanço mensal.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

Copyright 2019 – Grupo CMA

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