Setembro de volatilidade com mercado de clima no café

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     Porto alegre, 04 de outubro de 2019 – O mercado internacional do café teve um mês de setembro movimentado pelo fator climático. A falta de chuvas no Brasil gerou preocupação com a safra de 2020, porque o período é crucial de formação de floradas e a umidade é fundamental. Assim, a Bolsa de Nova York para o arábica, que baliza a comercialização internacional do café, teve sessões de ampla volatilidade de acordo com os boletins meteorológicos.

     As chuvas são fundamentais para a abertura das floradas. Mas não basta a ocorrência de apenas uma chuva, é determinante que haja um regime regular de precipitações para a abertura e posterior pegamento das floradas. Se isso não ocorre, a próxima safra não terá seu potencial produtivo alcançado. Por isso, a bolsa de NY teve subidas em muitos pregões, à medida que as notícias indicavam falta de umidade e altas temperaturas no cinturão cafeeiro do Brasil.

     Por outro lado, quando vinham previsões de chuvas, que ocorreram ao final de setembro, os preços recuavam nas bolsas (NY e Londres). O mercado brasileiro de café reagiu com cautela a essas oscilações, com produtores esperando melhora nas cotações. A ampla oferta global ainda segue sendo fundamento de pressão sobre os preços. A Organização Internacional do Café (OIC) reduziu sua projeção de superávit na oferta global para 2018/19 de 4,96 para 4,05 milhões de sacas de 60 quilos. Mas ainda é uma sobra grande de café que dá tranquilidade ao abastecimento.

     Outubro será ainda de mercado de clima, com o mercado atento às chuvas sobre o cinturão produtor brasileiro. A volatilidade do dólar contra o real e o mercado financeiro global também vai trazer direcionamento ao café. Assim, outubro começou e promete ser todo de volatilidade para a commodity.

     No balanço mensal, o contrato dezembro do arábica em NY subiu de 96,85 centavos de dólar por libra-peso do último pregão de agosto para 101,15 centavos de dólar na última sessão de setembro, o que representou uma alta de 4,4%. NY mais uma vez passou o mês trabalhando essa linha de US$ 1,00 a libra-peso. Encontrou suporte neste nível, com dificuldade para romper para baixo. Mas também não conseguiu subir muito, o que denota ainda o sentimento de tranquilidade no abastecimento mundial.

     Em Londres, o café robusta esteve mais fraco. No comparativo mensal, caiu de US$ 1.334 para US$ 1.320 a tonelada para novembro.

     No Brasil, o mercado acompanhou o direcionamento de Nova York. O mercado nas últimas semanas mostra-se regionalizado, dependendo da demanda e da maior intenção de venda de produtores e cooperativas quando há reação nos preços. No balanço mensal, o preço do arábica bebida boa subiu de R$ 410,00 no fim de agosto para R$ 435,00 a saca de 60 quilos no final de setembro, acumulando alta de 6,1%. O conilon tipo 7, em Vitória/ES, se manteve estável no mesmo comparativo em R$ 290,00 a saca. O dólar comercial no balanço mensal saiu de R$ 4,143 para R$ 4,156.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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