Setembro foi de preços firmes para soja no Brasil

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     Porto Alegre, 4 de outubro de 2019 – Setembro foi de preços firmes e de mercado ativo na comercialização de soja no Brasil, ainda que o ritmo dos negócios tenha sido moderado. Os contratos futuros subiram bem em Chicago e o dólar também subiu frente ao real. O reflexo só não foi melhor no Brasil devido ao recuo nos prêmios de exportação.

     Após dois meses de recuperação nas cotações, a primeira semana de outubro foi de acomodação e, em função disso, os preços domésticos perderam um pouco de terreno.

     Na quinta, a saca de 60 quilos era cotada a R$ 83,00 no mercado de lotes de Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço era de R$ 81,00. Em Paranaguá, a cotação estava em R$ 86,50.

     Em Rondonópolis (MT), a saca de 60 quilos tinha preço de R$ 78,00. Em Dourados (MS), a cotação era de R$ 78,00, mesmo preço praticado em Rio Verde (GO).

     Os contratos com vencimento em novembro tiveram valorização de 4,13% em outubro na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), fechando o mês a US$ 9,06. Os avanços nas negociações entre China e Estados Unidos em busca de um acordo comercial, estoques trimestrais americanos abaixo do esperado e a previsão de clima chuvoso durante a colheita da safra norte-americana sustentaram as cotações.

     O dólar comercial também subiu, ainda que de forma bem mais moderada, acumulado ganho de 0,32% e batendo na casa de R$ 4,156. Os prêmios de exportação perderam terreno, acompanhando a maior demanda chinesa por soja dos Estados Unidos.

     Produção

     Os produtores brasileiros de soja deverão cultivar 36,942 milhões de hectares em 2019/20, a maior área da história, crescendo 1,5% sobre o total semeado no ano passado, de 36,384 milhões. A projeção faz parte do mais recente levantamento de SAFRAS & Mercado.

     No relatório de intenção de plantio, divulgado em julho, a área estava estimada em 36,631 milhões de hectares, o que representava uma expansão de 0,8% na semeadura.

     Com uma possível elevação de produtividade, de 3.296 quilos para 3.421 quilos por hectare, a produção nacional deve ficar acima da obtida nesta temporada. A previsão inicial é de uma safra de 125,754 milhões de toneladas, 5,4% maior que as 119,306 milhões obtidas neste ano.

     Na avaliação do analista de SAFRAS, Luiz Fernando Roque, a mudança no contexto fundamental do mercado brasileiro de soja nos últimos três meses, com elevação nos preços e consequente melhora na rentabilidade do produtor, incentivou um maior crescimento da área a ser destinada à oleaginosa frente à intenção de plantio de julho.

     “Embora algumas incertezas permaneçam, os produtores se sentem um pouco mais seguros neste momento diante dos melhores preços registrados”, avalia Roque.

      A área de soja deverá crescer em praticamente todos os estados produtores. “Novamente deveremos ver transferências de algumas áreas de milho para soja nos principais estados produtores, com o Centro-Oeste e o Sudeste centralizando a produção de milho na segunda safra. A melhor remuneração da oleaginosa também leva à abertura de novas áreas para a soja, mesmo que em um ritmo um pouco menor que nas safras anteriores”, completa.

      Destaque para a provável recuperação das produtividades nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul após as fortes perdas registradas na safra 2018/19. Se o clima permitir, o Brasil deve colher safra recorde, consolidando o país como o maior produtor do mundo de soja.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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