Café cai nas bolsas com perspectiva de grande safra brasileira em 2020

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     Porto Alegre, 18 de outubro de 2019 – Os preços do café voltaram a cair nas bolsas de futuros na semana, refletindo a ampla oferta global, reforçada pelas perspectivas de mais uma grande safra brasileira em 2020. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o arábica se aproximou no contrato dezembro, mais uma vez, da faixa de 90,00 centavos de dólar por libra-peso, com o patamar de US$ 1,00 já distante.

     Nesta quinta-feira, 17, NY fechou pela terceira vez seguida em baixa. A sessão foi volátil e NY voltou a esboçar uma recuperação técnica. Mas, a reação não se sustenta ante o sentimento de tranquilidade no abastecimento global. As chuvas voltaram ao cinturão cafeeiro do Brasil e boas floradas foram relatadas, que vão resultar na safra do ano que vem. As perspectivas de uma grande safra brasileira em 2020, talvez recorde, voltaram a circular no mercado e a pesar sobre as cotações.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o café testa mínimas repercutindo as floradas e o indicativo de uma safra recorde no Brasil em 2020. Os fundos e especuladores acentuaram a aposta negativa, com o último relatório do CFTC indicando posição líquida vendida com futuros de 34.167 contratos ao final do pregão do dia 08 de outubro, contra 22.893 contratos na semana anterior. “A previsão de chuvas, mais generalizadas e regulares para o final de outubro, reforçam esse sentimento de oferta ampla, que pauta as operações no mercado internacional de café”, comenta. O consultor indica que o mercado deve continuar refletindo as floradas e de olho no clima no Brasil, o que pode abrir pouco espaço para ganhos mais significativos lá fora.

     O Brasil vem mantendo forte fluxo nas exportações, o que pesa constantemente sobre os preços. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até o dia 13, o Brasil já alcançava no acumulado de outubro embarques de 1,461 milhão de sacas de café em grão. Ou seja, mantendo esse ritmo, vai chegar próximo as 3 milhões de sacas no total mensal, e isso somente de café verde. Para completar, agora ao final do ano entra a safra de outras importantes origens, como Vietnã e Colômbia, o que reforça as indicações de oferta ampla e abastecimento tranquilo para os consumidores.

     Assim, no balanço semanal, o contrato dezembro em NY fechou nesta quinta-feira (17/10) a 92,90 centavos de dólar por libra-peso, acumulando uma baixa de 0,6% contra a quinta-feira anterior (93,50 centavos dia 10). Em Londres, o robusta teve perdas mais significativas no mesmo balanço semanal, de 5%. Os exportadores do Vietnã estão intensificando as vendas do robusta para liquidarem estoques com a chegada da safra vietnamita a partir de novembro, o que pressionou ainda mais o robusta em Londres.

     No Brasil, como ressalta o consultor Gil Barabach, o mercado interno encontra apoio no dólar para suavizar as perdas externas e trazer uma certa estabilidade às cotações, depois de ter recuado na semana passada. O arábica duro com 15% de catação gira em torno de R$ 400,00 a R$ 410,00 no Sul de Minas. Destaque positivo para o café cereja, escasso, que é indicado entre R$ 490,00 a R$ 500,00 a saca no Sul e Cerrado de Minas.

     “Como não vinham acompanhando na mesma proporção os recentes ganhos, as bebidas mais fracas sentiram menos o impacto das perdas externas. Mesmo assim, caíram”, comenta Barabach. O café rio com 20% de catação da Zona da Mata de Minas caiu a R$ 290,00/295,00 a saca, perdendo a linha de R$ 300,00 a saca. Já o conilon tipo 7 em Vitória gira em torno de R$ 277,00/280,00 a saca.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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