Clima, câmbio e oferta afetam preços do trigo no Brasil

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Porto Alegre, 18 de outubro de 2019 – O clima sobre as regiões produtoras de trigo do Brasil ainda pode trazer impactos sobre o quadro de oferta nacional. A colheita no Paraná tende a ser encerrada ao longo das próximas semanas, tendo em vista o percentual baixo de lavouras restantes, além disso, o clima mais favorável poderá propiciar um cenário positivo ao avanço dos trabalhos, como estava acontecendo antes da ocorrência de chuvas.

No oeste paranaense, a colheita do grão já foi encerrada e há trigo disponível para ser negociado. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, alguns lotes nesta semana têm apresentado cotações por volta de R$ 830,00 a R$ 840,00 a tonelada posto moinho.

“As ofertas, entretanto, vêm caindo, devido à busca dos produtores por valorizar seu produto. Por outro lado, moinhos paranaenses já indicam a possibilidade de buscar sua matéria-prima no Rio Grande do Sul, conforme ocorre o avanço da colheita gaúcha, tendo em vista preços mais atrativos”, disse.

Pinheiro destaca o câmbio que, com a atual taxa deixa pouco competitivo também o trigo paraguaio, que abastece em parte a região oeste do Paraná. “Devido à baixa atratividade, pelas paridades de importação, os moinhos buscam alternativas para seu abastecimento”, finalizou.

Paraná

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu relatório semanal, que a colheita do trigo no Paraná atinge 79% da área, estimada em 1,023 milhão de hectares, contra 1,102 milhão de hectares em 2018, queda de 7%. As lavouras estão em boas condições (73%), condições médias (23%) e ruins (4%), divididas entre as fases de floração (2%), frutificação (54%) e maturação (44%).

Rio Grande do Sul

A colheita de trigo atinge 7% da área no Rio Grande do Sul. As lavouras se dividem entre as fases de floração (4%), enchimento de grãos (47%) e maturação (42%). Estas primeiras áreas já colhidas se localizam principalmente nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Frederico Westphalen e apresentaram produtividades médias que variam entre 3.100 quilos por hectare e 3.300 quilos por hectare, com PH acima de 78.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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