Fitch diz que claridade política é essencial para Argentina

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     Porto Alegre, 30 de outubro de 2019 – O novo presidente eleito na Argentina, Alberto Fernández, enfrenta desafios políticos urgentes que incluem converter promessas de campanha em um plano econômico detalhado, renegociar o Acordo Stand-by do Fundo Monetário Internacional (FMI) e reestruturar as dívidas com os detentores de bens, afirmou a agência de classificação Fitch Ratings.

     “Os desafios para resolver cada uma dessas áreas de política entrelaçadas, dentro de um cronograma apertado em meio da erosão dos amortecedores financeiros e o iminente reembolso da dívida, são um risco importante para a solvência da Argentina”, advertiu a agência.

     A Fitch também indicou que não está claro em que medida a companhia de chapa de Fernández, a ex presidenta Cristina Fernández de Kirchner, “exercerá poder sobre as políticas”.

     A política doméstica também pode ser um fator a considerar, já que o ex-ministro da Economia do ex-presidente foi eleito governador da província de Buenos Aires.

     Fernández tem um histórico de moderado durante seu serviço nos governos peronistas anteriores, mas ele tinha uma vaga agenda populista. “Ele prometeu uma estratégia de crescimento focada no consumo por meio de maiores rendas e pensões, mas ainda não forneceu clareza sobre como o crescimento seria alcançado enquanto continuasse a consolidação fiscal. Seriam necessários grandes aumentos de impostos para pagar novas iniciativas de gastos e os aumentos de pensão devido à indexação, enquanto reduzem o déficit “, diz o relatório.

     Com relação à política monetária, ele criticou as altas taxas de juros como contribuintes para a depressão econômica, concentrando-se em um “pacto social” para controlar a inflação, mas não esclareceu até que ponto isso poderia envolver medidas coercitivas que poderiam incentivar distorções econômicas e dificultam o investimento, também observa Fitch.

     A Fitch acredita que uma política econômica credível “deve incluir algumas medidas politicamente difíceis e socialmente impopulares”; além disso, indica que a renegociação com o FMI para liberar os desembolsos restantes e potencialmente prolongar os pagamentos também será essencial para enfrentar os desafios urgentes de liquidez.

     Também será necessário reestruturar os títulos locais e externos. A Fitch acredita que é necessário um acordo que forneça alívio significativo da dívida além das extensões de vencimento para garantir a sustentabilidade da dívida. Por fim, a agência alerta que esses problemas “teriam que ser resolvidos rapidamente”, para encurtar o período de incerteza que está afetando negativamente a economia e os mercados. As informações são da Agência CMA.

     Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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