Café subiu 12% em NY em novembro e mais de 17% no Brasil

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     Porto Alegre, 29 de novembro de 2019 – O mercado internacional do café teve um mês de novembro de altas acentuadas nas cotações, e isso valeu tanto para as bolsas de futuros quanto para os preços no Brasil ao produtor. A bolsa de Nova York (ICE Futures US), que baliza os preços do café no mundo, teve uma mudança de patamar e saiu de um nível próximo de US$ 1,05 a libra-peso para US$ 1,20 praticamente, enquanto no Brasil os preços superaram para o arábica de boa a melhor qualidade a importante linha de R$ 500,00 a saca de 60 quilos.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, em NY, o dinamismo dos ganhos foi impulsionado pela forte atuação dos fundos. “Esses agentes convergiram suas posições em direção à neutralidade, saindo de uma pesada carteira líquida vendida para encerrar o pregão do último dia 19 de novembro com apenas 1.062 contratos líquidos vendidos”, comentou.

     Para Barabach, a disparada na Bolsa de NY ainda parece muito mais um realinhamento entre o mercado físico e futuro do que uma mudança no curso fundamental. A oferta continua parecendo tranquila para os consumidores. “O fato é que não está faltando café. O que está acontecendo é a percepção de uma sobra menor na atual temporada, especialmente no Brasil”, comenta. Houve uma revisão para baixo na produção brasileira deste ano. Além disso, o país manteve exportações recordes em 2018/19 (julho/junho) e há um fluxo acelerado na atual temporada também nos embarques. Assim, projetam-se estoques brasileiros muito baixos ao final do ciclo 2019/20. “E isso alivia o peso da projeção de safra brasileira 2020 recorde, o que induz uma mudança para cima no preço de equilíbrio de mercado”, observa.

     Além disso, comenta Barabach, o movimento na Bolsa de NY também se apoiou na retranca dos vendedores de cafés suaves no mundo. E isso acontece em plena entrada de safra, que a princípio parece normal. “Nem mesmo a disparada na ICE foi capaz de enfraquecer as bases de venda dessas origens. A expectativa é que o avanço da temporada de suave (Colômbia e Centrais) force um novo realinhamento no mercado entre físico e futuro (distorcido), mexendo tanto nos diferenciais como na ICE em NY”, acredita.

     Nesse sentido, o café na bolsa nova-iorquina fica mais vulnerável à alguma correção, prevê. O dólar alto, principalmente frente ao real, também pode pesar contra os preços na ICE. “Mesmo sujeito a perdas, o mercado deve sustentar parte dos ganhos acumulados ao longo do último mês, o que confirmaria a mudança do patamar de atuação para cima. Mas, o determinante de médio prazo do mercado continua sendo o tamanho da próxima safra brasileira. E a produção brasileira continua sustentando o potencial de recorde, ainda mais com as boas chuvas ao longo das últimas semanas”, avalia.

     No balanço de novembro até o dia 27, o café arábica na Bolsa de NY no contrato março/2020 subiu de 105,45 (último dia de outubro) para 118,45 centavos de dólar por libra-peso, acumulando uma alta de 12,3%. Em Londres, o café robusta para janeiro/2020 avançou no mesmo acumulado 4,5%.

     Já no Brasil, o mercado físico acompanhou esses ganhos das bolsas e teve mais um aliado, que foi o dólar. O dólar comercial no balanço de novembro até o dia 28 acumulou uma valorização de 5,0%, passando de R$ 4,014 ao fim de outubro para R$ 4,216 no fechamento de 28 de novembro.

     Assim, o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais no balanço mensal subiu em novembro de R$ 430,00 para R$ 505,00 a saca na base de compra, acumulando alta de 17,4%. O conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, subiu de R$ 285,00 para R$ 310,00 a saca na base de compra, com elevação de 8,8%.

     Barabach indica que esses preços trouxeram os produtores ao mercado e ajudaram a acelerar as vendas, tanto no disponível, como, especialmente, na safra nova. “Agora, os vendedores, especialmente aqueles que já aproveitaram a alta do mercado, começam a tirar um pouco o pé. Os negócios seguem saindo, mas de forma mais compassada. A demanda também está mais reticente, ponderando sobre diferenciais apertados e mercado inflado”, conclui.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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