Preços do açúcar reagem em novembro com perspectiva de menor oferta

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     Porto Alegre, 29 de novembro de 2019 – Os preços internacionais do açúcar tiveram alta em novembro, buscando recuperação após as perdas do mês anterior. Os contratos com entrega em março do açúcar bruto negociados em Nova York fecharam a sessão do dia 27 de novembro a 12,79 centavos de dólar por libra-peso, alta de 2,5% em relação à última cotação de outubro (12,48 centavos de dólar por libra-peso no dia 31).

     Apesar dessa alta, o mercado se manteve dentro do chamado “canal lateral”, oscilando em estreitas margens, entre as linhas de 12 a 13 centavos. Um cenário mais ajustado entre os fatores de oferta e demanda, com possibilidade de déficit na temporada 2019/20, ajudaram as cotações a subirem.

    Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), haverá um déficit de oferta de 544 mil toneladas na temporada 2019/20, contra um superávit de 4,285 milhões de toneladas na temporada anterior. Já a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) elevou sua estimativa para o déficit global do adoçante no ciclo 2019/20 para 6,12 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 4,76 milhões. O órgão intergovernamental prevê um recuo de 3,12% na produção mundial,

a 170,4 milhões de toneladas, enquanto o consumo é visto em crescimento de 1,32%, a 176,52 milhões de toneladas.

Primeira quinzena marca forte crescimento na produção de etanol

    Os primeiros quinze dias de novembro registraram robusto crescimento na produção de etanol em função do maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do biocombustível – 71,73% da cana-de-açúcar processada foi destinada à produção de etanol, contra 65,92% no mesmo período da safra 2018/2019. Como resultado, a produção do biocombustível alcançou 1,30 bilhão de litros nos primeiros quinze dias do mês, registrando alta de 19,03% quando comparado ao mesmo período de 2018. Deste volume, 872,81 milhões de litros foram de etanol hidratado e o restante, 426,54 milhões de litros, de etanol anidro. A produção quinzenal de açúcar, por sua vez, alcançou 785,98 milhões de toneladas na primeira metade do mês, registrando queda de 11,31% em relação à quantidade fabricada em igual período do último ciclo.

    Para o diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “o mix de produção mais alcooleiro observado nesta quinzena é surpreendente se considerarmos que nas últimas quinzenas houve uma maior demanda por açúcar, tanto no mercado interno quanto em relação às saídas para exportação”, comentou.

     Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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