Baixas em NY e no dólar pressionam algodão no Brasil

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    Porto Alegre, 02 de novembro de 2019 – A combinação de queda no câmbio e em Nova York freou o ímpeto altista do mercado brasileiro de algodão neste primeiro dia do mês de dezembro. A indicação no CIF de São Paulo permaneceu por volta de R$ 2,62/libra-peso. Comparado ao mesmo período do mês passado acumula alta de 5,05%. Frente à igual momento de 2018 a queda é de 11,59%.  No FOB do porto de Santos/SP a fibra brasileira encerrou a segunda-feira a 63,54 cents de dólar por libra-peso (c/lb). Comparado ao contrato de maior liquidez na Bolsa de Nova York (março/20) o produto brasileiro está 1,95% mais acessível. Há uma semana era indicado por um valor 3,07% inferior e há um mês 2,44% inferior.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, destaque nesta segunda feita para os números de exportação. Em novembro foram vendidas 256,3 mil toneladas (t) ao exterior, 11% abaixo das 288,1 mil t de outubro e 21% acima das 211,7 mil t de novembro do ano passado. Com isso, no acumulado das 25 primeiras semanas da temporada as vendas externas da fibra chegaram a 837,7 mil toneladas. Esse volume supera as 419,5 toneladas embarcadas no mesmo período do ano comercial anterior em 99,6%. Além disso, com esse desempenho, a cadeia produtiva já conseguiu exportar 39,6% do saldo de produção em relação ao consumo interno no ano comercial 2019/20. “No mesmo período do ano anterior havia escoado 31,2% do saldo daquela temporada. Isso mostra que mesmo tendo um saldo 57% superior, a cadeia produtiva tem sido eficiente no escoamento do excedente de produção em relação ao consumo”, comenta Bento.

     Nova York

     A Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) para o algodão fechou com preços mais baixos nesta segunda-feira.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, o mercado voltou a ceder diante do pessimismo com um acordo comercial entre Estados Unidos e China no curto a médio prazo. Cresce a tensão entre os dois países com a China retaliando os Estados Unidos pelo apoio aos protestos pró-democracia em Hong Kong.

     A China suspendeu a permissão para que navios e aeronaves militares norte-americanos façam paradas para reparos e descanso no porto de Hong Kong, em resposta ao apoio de Washington aos protestos pró-democracia na região autônoma, que já duram cinco meses. Na semana passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou e transformou em lei dois projetos em apoio à Hong Kong. Um deles torna o status comercial favorável dos Estados Unidos concedido a Hong Kong sujeito a uma revisão anual, além de prever sanções por violações de direitos humanos.

     “Em resposta a esse comportamento irracional, a partir de hoje, o governo chinês decidir suspender a revisão dos pedidos de navios e aeronaves militares dos Estados Unidos para visitar Hong Kong”, disse hoje a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunying, em coletiva de imprensa.

     Os contratos com entrega em março/2020 fecharam a 64,80 centavos de dólar por libra-peso, com perda de 0,56 centavo, ou de 0,8%. Maio/2020 fechou a 65,91 centavos, com baixa de 0,48 centavo, ou de 0,7%.

     Câmbio

     O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com baixa de 0,54%, sendo negociado a R$ 4,2180 para venda e a R$ 4,2160 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,2140 e a máxima de R$ 4,2600.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) – Agência SAFRAS

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