Cenário aponta alta para cotações do trigo no Brasil

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     Porto Alegre, 6 de dezembro de 2019 – O mercado doméstico de trigo segue com viés de alta nos preços. Apesar do recente ingresso de safra no Brasil, houve perdas tanto de qualidade quanto de produtividade, que reduziram significativamente o volume do cereal de qualidade superior, valorizando-o.

     “Fatores externos, como a cotação cambial elevada, seguem sendo outro ponto que corrobora para as elevações de preços no âmbito doméstico. Isso ocorre porque com a taxa cambial elevada, os custos de importação, pelas paridades são elevados, aumentando a competitividade do trigo nacional frente o importado”, disse o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro.

     Os compradores nacionais devem ficar atentos às oscilações do câmbio ao longo dos próximos meses, buscando momentos mais atrativos para aquisições.

     Além disso, o mercado interno deverá usar grande parcela do trigo de qualidade inferior para mescla, minimizando as necessidades de importações ao máximo, ao menos enquanto o custo estiver mais elevado.

     Nestes quatro primeiros meses da temporada o Brasil já importou mais de 2 milhões de toneladas, dos pouco mais de 7 milhões aguardados para todo ano comercial. As exportações, por outro lado, seguem apresentando ritmo representativamente lento, com somente 75 quilos escoados.

     Argentina

     A colheita de trigo na Argentina na safra 2019/20 já atinge 46% da área no país. Na comparação com o ano anterior, os trabalhos estão 1 ponto percentual à frente, segundo o boletim semanal da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. A produção argentina está estimada em 18,5 milhões de toneladas.

     Rio Grande do Sul

     A colheita do trigo no Rio Grande do Sul está tecnicamente concluída. A área implantada com o cereal nesta safra é de 757.320 hectares, com acréscimo de 6,64% em relação à safra anterior, que foi de 739.404 hectares. A produtividade média estadual registrada em novembro é de 2.955 quilos por hectare, +19,68% em relação à safra de 2018.

     Mesmo sob condições climáticas de excesso de chuvas na colheita, foi uma excelente safra para o Estado, disse a Emater-RS. A produção total deverá fechar em pouco mais de 2,2 milhões de toneladas.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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