Mercado doméstico de café deve seguir em ritmo lento com produtor afastado

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     Porto Alegre, 12 de dezembro de 2019 – O mercado brasileiro de café deve ter mais um dia de comercialização moderada e de preços estáveis. Nova York registra ganhos, mas o dólar recua na comparação com o real. Os produtores seguram a oferta e, bem capitalizados, esperam por condições melhores para negociar.

NOVA YORK

* Os contratos com vencimento em março operam a 136,40 centavos de dólar por libra-peso, com valorização de 0,88%.

* Os contratos para março fecharam nesta quarta-feira a 135,20 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 1,90 centavo, ou de 1,4%.

SAFRA

* A safra brasileira de café 2019/20, colhida neste ano de 2019, ficou em 57,05 milhões de sacas de 60 quilos. É o que aponta a nova estimativa de SAFRAS & Mercado para a safra, realizada através de sondagem junto a cooperativas, produtores, exportadores, comerciantes, armazenadores e secretarias de agricultura. A safra foi revisada para baixo em relação ao levantamento anterior, de abril, que apontava a produção em 58,9 milhões de sacas.

* A safra 2018/19, antes indicada por SAFRAS & Mercado em 64,1 milhões de sacas, foi revisada para cima para 64,85 milhões de sacas. Assim, SAFRAS estima agora uma queda de 12,0% na produção 2019/20.

* A produção de café arábica foi indicada em 2019/20 em 39,05 milhões de sacas, 19,8% menos que na safra 2018/19, estimada em 48,7 milhões de sacas. Já a safra de conilon é colocada em 2019/20 em 18,0 milhões de sacas, com incremento de 11,5% contra 2018/19 (16,15 milhões de sacas).

* Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, responsável pela estimativa, o resultado decepcionante no Cerrado e na região das Matas de Minas, bem como, a produção abaixo do esperado no Espírito Santo acabou puxando a safra brasileira de arábica para baixo. “A razão para esse desempenho mais fraco que o esperado é a maturação irregular”, comenta.

COMERCIALIZAÇÃO

* A comercialização da safra de café do Brasil 2019/20 (julho/junho) chegou a 71% até o dia 10 de dezembro. O dado faz parte de levantamento de SAFRAS & Mercado. Em relação ao último levantamento, de 11 de novembro, a comercialização evoluiu em 9 pontos percentuais.

* As vendas estão adiantadas em relação ao ano passado, quando 64% da safra 2018/19 estava comercializada até então. A comercialização está exatamente na média dos últimos 5 anos, que é de 68% para esta época.

* Com isso, já foram comercializadas 40,66 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de SAFRAS & Mercado, de uma safra 2019/20 de café brasileira de 57,05 milhões de sacas.

* Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, a disparada dos preços ativou os negócios no mercado físico brasileiro e o percentual comprometido pelos produtores deu outro salto. Essa tem sido uma característica comercial na atual temporada, com movimentos de intensas negociações seguidos de calmaria. “Já foi assim no repique com o frio em julho e, novamente, agora com a mudança de patamar na ICE e a firmeza do dólar. E o momento continua muito favorável ao vendedor. Alguns meses atrás o produtor nem sonhava que iria vender café de bebida boa entre R$ 535 a R$ 550 a saca, dependendo da catação”, comenta.

* Destaque para o arábica, com comercialização chegando a 71% da safra. As vendas desses cafés estão bem acima de igual época do ano passado (61%) e também mais altas que a média para o período (66%). As vendas de conilon também melhoraram e alcançam 72% da safra, ligeiramente abaixo de igual período do ano passado (73%), mas em linha com a média dos últimos 5 anos para o período (72%). 

CÂMBIO

* O dólar comercial opera com baixa de 0,21% a R$ 4,112.

INDICADORES FINANCEIROS

* As bolsas da Ásia fecharam mistas. Xangai, -0,3%; e Tóquio, +0,2%.

* As principais bolsas na Europa operam firmes. Paris ,+0,04%; Frankfurt, +0,1% e Londres, +0,57%.

* O petróleo opera em alta. Janeiro do WTI em NY: US$ 59,06 o barril (+0,51%).

* O Dollar Index registra baixa de 0,26% a 97,16 pontos.

MERCADO INTERNO

* O mercado físico brasileiro de café teve uma quarta-feira de preços pouco alterados. A volatilidade na Bolsa de Nova York deixou o mercado mais cauteloso. O comprador não mexeu muito em suas bases e os vendedores mantiveram-se reticentes. Assim, o dia foi de poucos negócios.

* No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa ficou em R$ 550,00/555,00 a saca, inalterado. No cerrado mineiro, preço de R$ 555,00/560,00 a saca, estável.

* Já o café arábica “rio” tipo 7 na Zona da Mata de Minas Gerais, com 20% de catação, teve preço de R$ 375,00/380,00 a saca, inalterado.

* O conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, teve preço de R$ 310,00/315,00 a saca, contra R$ 317,00/320,00 de ontem.

AGENDA

—–Quinta-feira (12/12)

– Alemanha:  A versão revisada do índice de preços ao consumidor de novembro será publicada às 4h pelo Destatis.

– Eurozona:  A produção industrial de outubro será publicada às 7h pela Eurostat.

– Eurozona:  A decisão de política monetária será publicada às 9h45 pelo Banco Central Europeu (BCE).

– Exportações semanais de grãos dos EUA – USDA, 10h30min.

– Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires, 15hs.

– Dados das lavouras no Rio Grande do Sul – Emater, na parte da tarde.

—–Sexta-feira (13/12)

– Dados do desenvolvimento das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura, no início do dia.

– Evolução do plantio de soja no Brasil -SAFRAS & Mercado, na parte da tarde.

– Dados de desenvolvimento das lavouras do Mato Grosso – IMEA, na parte da tarde.

    Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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