USDA estima superávit na oferta de café de 2,97 mi scs em 2019/20 no mundo

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Porto Alegre, 20 de dezembro de 2019 – Recente estimativa divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a produção mundial de café trouxe maior conforto em relação à oferta global em relação à demanda. Enquanto a Organização Internacional do Café (OIC) estima déficit na oferta mundial de 502 mil sacas de 60 quilos em 2019/20 e o Rabobank trabalha com déficit de 3,5 milhões de sacas, o USDA aponta uma sobra, ou superávit, de 2,97 milhões de sacas.

 

O relatório semestral do USDA apontou a produção mundial 2019/20 em 169,330 milhões de sacas de 60 quilos, levemente acima do número indicado seis meses atrás, que era de 169,130 milhões de sacas. A nova estimativa aponta uma queda na produção de 3% contra a safra 2018/19, que foi colocada em 174,640 milhões de sacas.

 

O consumo total de café em 2019/20, segundo o USDA, deverá atingir 166,361 milhões de sacas — outro recorde histórico —, contra 164,762 milhões de sacas no ano anterior, o que resulta em um superávit de oferta de 2,969 milhões de sacas. Seis meses atrás, o USDA indicara uma demanda global de 167,919 milhões de sacas. Assim, o USDA aumentou sua previsão de superávit na oferta, que antes era de 1,211 milhão de sacas e agora é de 2,97 milhões de sacas.

 

Os estoques finais totais de café em 2019/20 deverão atingir 35 milhões de sacas, caindo cerca de 400 mil sacas em relação à temporada anterior diante do grande consumo.

 

Segundo o USDA, o Brasil é o responsável por praticamente toda a queda da produção em 2019/20, uma vez que sua safra de arábica entrou em ano de baixa produção dentro do ciclo bienal da cultura. O USDA reduziu recentemente a estimativa da safra brasileira 2019/20 de 59,3 para 58 milhões de sacas. Assim, ampliou a diminuição para 10% na comparação com o recorde de 64,80 milhões de sacas colhidas do ciclo anterior.

 

Para a Colômbia manteve a produção em 14,30 milhões de sacas, confirmando o avanço de 3% em relação à temporada anterior. A queda na safra do Brasil é compensada por uma produção maior no Vietnã, que passou de 30,5 para 32,23 milhões de sacas em 19/20 (+6%).

 

Para o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, em linhas gerais, a produção mudou pouco. “Mexeu mais foi com a distribuição, com correção negativa no arábica e positiva no robusta. Assim, a produção de arábica deve ser de 95,77 milhões de sacas, representando 57% do total, contra 59,5% na temporada anterior. Já o robusta representa 43%, somando 73,57 milhões de sacas. Na temporada passada participava com 40,5%”, avalia.

 

“Esse redesenho da produção mundial deve potencializar uma maior valorização do café arábica em relação ao robusta. E, por isso, ajudar a dar suporte ao contrato de café na ICE em NY, especialmente contra o robusta negociado na ICE Europa”, indicou o consultor.

 

O consultor diz que o relatório do USDA traz números um pouco mais tranquilos ao abastecimento, o que pode estimular alguma acomodação nos níveis de preços, superado o gargalo na oferta de arábicas suaves. Barabach comenta que a diferença da OIC indicar déficit na oferta e o USDA superávit vem em grande parte pelo fato do período do ano comercial ser diferente entre um e outro. A OIC trabalha com temporada outubro/setembro e o USDA julho/junho. “Mas também vem por conta das projeções para safra do Brasil, especialmente, muito distintas. Em todo caso, os dois indicam que o excesso vem diminuindo”, conclui.

 

Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

 

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