Mercado internacional de açúcar reage em 2019 após marcas negativas

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     Porto Alegre, 27 de dezembro de 2019 – Após dois anos péssimos, em 2017 e em 2018, o mercado internacional de açúcar começou a reagir em 2019. Pressionado por excesso de oferta em termos globais, a referência mundial para os preços da commodity, que chegou a atingir uma mínima de 10 anos em setembro de 2018, ficando abaixo de 10 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York, se recuperou parcialmente e fecha o ano ao redor de 13,50 centavos, maior nível desde outubro de 2018.

     Primordialmente, a reação passou pela mudança de cenário que é esperada para a temporada 2019/20 (outubro-setembro), com o mercado global de açúcar passando a ter déficit de oferta após três anos consecutivos de excessos. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), haverá um déficit de oferta de 544 mil toneladas na temporada 2019/20, contra um superávit de 4,285 milhões de toneladas na temporada anterior, enquanto consultorias privadas apontam um “gap” muito maior, beirando a faixa de oito milhões de toneladas.

No Centro-Sul do Brasil, safra foi “normal”

      Segundo o analista da SAFRAS & Mercado, Maurício Muruci, a safra brasileira foi normal, com fatores climáticos sendo o destaque. “Em junho e julho houve geadas no centro-sul, entre o norte do Paraná e o norte de São Paulo, provocando quebra de aproximadamente dois milhões de toneladas de cana na produção da região. Também muitas áreas foram remanejadas, com a colheita sendo postergada mais para frente. No entanto, no final de outubro começou a chover de forma regular e intensa, impedindo essa colheita atrasada e praticamente encerrando de forma antecipada a safra 2019/20 na principal região produtora. Com isso, o volume de cana bisada, que será colhida no próximo ano, pode alcançar até mesmo um volume de 18 milhões de toneladas, quando a quantidade normal não passa de 12 milhões de toneladas”, disse.

     Conforme a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), o volume de colheita esperado para o final do ciclo agrícola 2019/2020 é de 590,00 milhões de toneladas, com crescimento de 2,9% em relação as 573,17 milhões de toneladas processadas na safra 2018/2019. Apesar da redução esperada na área colhida com cana-de-açúcar até o final do ciclo 2019/2020 (queda em torno de 2%), “o aumento da moagem deve ocorrer em função da maior produtividade agrícola da lavoura, promovida especialmente pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da planta”.

      Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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