Preços em Nova York e câmbio serão variáveis chave ao algodão

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     Porto Alegre, 3 de janeiro de 2020 – A dinâmica de formação de preços no mercado de algodão ocorre de fora para dentro. Os preços internacionais, referenciados pela Bolsa de Nova York, dada uma taxa de câmbio, determinam quais serão as cotações praticadas no Brasil. “Com o país assumindo o posto de um dos maiores exportadores, a paridade de exportação passou a ser a referência para a formação das cotações internas”, destaca o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.

     “Quanto maior o excedente, maior a sensibilidade dos preços domésticos às oscilações das duas variáveis supracitadas”, lembra Bento. “Assim, um estudo do quadro de abastecimento nacional parece ser o melhor ponto de partida para uma análise das tendências para o mercado de algodão em 2020”, pondera.

     No primeiro semestre, os agentes acompanharão de perto o escoamento da safra 2018/19 e a evolução das lavouras da 2019/20. “No primeiro caso, o país iniciou a temporada em junho de 2018 com 426 mil toneladas em estoques, que somados à produção local e um pequeno volume de importações, geraram uma oferta de 3,299 milhões de toneladas”, frisa o analista.

     O consumo nacional é estimado em 750 mil toneladas. “Nesse caso, para fechar a temporada com o mesmo nível de estoques que iniciou, a necessidade de exportação seria de 2,120 milhões de toneladas”, pondera. Em 27 das 52 semanas da temporada, os embarques para o exterior são 998 mil toneladas. “O desempenho dessas vendas externas até o final da temporada 2019/20 (em maio) é que definira quanto o país carregará de estoques para o ciclo comercial 2020/21”, ressalta.

     Interessante lembrar que entre 2010 e 2017 a média dos estoques de passagem foi de 266 mil toneladas. Com o consumo doméstico em queda, essa margem estreita da oferta em relação à demanda foi conseguida graças ao dinamismo das vendas externas do país. Na temporada passada, mesmo com o volume recorde de 1,220 milhão de toneladas exportadas, os estoques subiram de 245 mil toneladas para 426 mil toneladas. “Para evitar um novo aumento, a cadeia produtiva terá o desafio de escoar mais de 2,0 milhões de toneladas para o exterior”, comenta Bento. Além de prospectar mercado, existe o desafio de logística, com os embarques concentrados no Porto de Santos.

     Para a próxima safra, a perspectiva é que o montante produzido seja de 2,860 milhões de toneladas (muito próxima da colhida em 2019). “Com a economia nacional apresentando alguma recuperação, o consumo interno da fibra também pode reagir”, explica o analista. De qualquer forma, será mais um ano de excedente exportável superior a 2,0 milhões de toneladas. Esses números só deixam uma certeza para 2020: mais uma vez os preços domésticos terão a paridade de exportação como ponto de referência. “Com isso, preços internacionais e câmbio são variáveis chave”, finaliza.  

     Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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