Açúcar apresenta fortes altas em NY com apreensão com oferta

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     Porto Alegre, 17 de janeiro de 2020 – O mercado internacional de açúcar teve uma terceira semana de janeiro marcada por um forte movimento de altas nas cotações na Bolsa de Nova York. Os contratos para março/2020 saíram da faixa de 13,78 centavos de dólar por libra-peso para o nível atual de cerca de 14,50 centavos, acumulando ganhos de mais de 5% no período. Apreensão com informações dando conta de menor oferta no mercado determinou os ganhos em “solavanco” na bolsa.

      Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Maurício Muruci, essa alta tão forte é considerada muito intensa para os padrões de baixa liquidez do início do ano. “O estopim da alta veio por conta dos dados mensais de oferta e demanda dos Estados Unidos por parte do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), que apontaram queda na produção, baixa nos estoques e elevação das importações de açúcar ao longo da safra internacional corrente 2019/20”, comentou.

     Além disso, informações apontando queda na produção de açúcar na Índia nos primeiros meses da temporada 2019/20 garantiram sustentação para a escalada. A produção de açúcar da Índia na safra 2019/20 (de 01 de outubro de 2019 até 31 de dezembro de 2019) caiu 30%, totalizando 7,79 milhões toneladas, contra 11,17 milhões de toneladas no mesmo período da temporada 2018/19, disse a Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA, na sigla em inglês).

     Também segundo a entidade, a produção de açúcar da India em 2019/20 deve cair 20%, para 26,3 milhões de toneladas, menor nível em três anos, após uma seca em 2018 ter forçado produtores a reduzir a área de plantio de cana e inundações terem danificado seriamente muitos canaviais em agosto de 2019.

     Muruci ressalta que essa produção acumulada na Índia em queda significativa junto à entressafra do Brasil colabora para estes avanços na Bolsa de NY. “Por fim, a assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China ajudou a consolidar estes referidos ganhos”, comenta.

Etanol

     Já o mercado físico brasileiro de etanol teve uma terceira semana de janeiro com preços estáveis e poucos volumes de vendas registrados ao longo do período. Ainda nas duas semanas anteriores, a maioria das distribuidoras já havia atuado no mercado junto às usinas, com o objetivo de recompor os seus estoques de passagem que haviam sido vendidos ainda durante os feriados prolongados de natal e ano novo. “Logo, a terceira semana foi um momento de baixa atividade no mercado, com preços pouco voláteis e vendas apenas pontuais e ocasionais”, comenta Muruci.

     O destaque veio por conta do forte estreitamento entre os preços do hidratado e os do açúcar da bolsa de Nova York quando comparados em centavos de dólar por libra-peso. “Neste cenário, a vantagem nas vendas de etanol hidratado no mercado físico, que no início da semana oscilavam em 23%, acabaram caindo para 8% ao final do período com os ganhos observados no açúcar junto à estabilidade no etanol. A desvalorização do real contra o dólar também ajudou neste movimento de estreitamento dos prêmios do hidratado”, conclui o consultor.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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