Fed deve manter juros dos EUA e foco estará em pressões de financiamento

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     Porto Alegre, 28 de janeiro de 2020 – O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deve manter a taxa básica de juros do país inalterada na faixa entre 1,50% e 1,75% na próxima reunião de política monetária, e o mercado estará atento a sinais de como será a resposta da instituição à recentes pressões de financiamentos, de acordo com analistas consultados pela Agência CMA.

     “Se tudo correr de acordo com o plano do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), sua reunião de janeiro será considerada uma soneca”, disseram analistas do Wells Fargo, em relatório. Segundo eles, tanto os dados quanto as orientações futuras do Fed apoiam a manutenção dos juros no primeiro encontro do ano.

     Na decisão mais recente, de dezembro, o Fomc declarou que “a posição atual da política monetária é apropriada para apoiar a expansão sustentada da atividade econômica, as fortes condições do mercado de trabalho e a inflação, próxima da meta simétrica de 2%”.

     Para os analistas do Wells Fargo, esse sentimento desde então “ecoou em discursos e entrevistas”, e “até o membro mais dovish [propenso ao afrouxamento monetário] do Fomc, Neel Kashkari, que este ano tem direito a voto, disse que está confortável com a atual postura da política monetária”.

     Além disso, os dados sugerem que atividade econômica nos Estados Unidos está se estabilizando. O estrategista sênior do Rabobank, Philip Marey, afirmou que o Fed deve manter os juros inalterados esta semana, e que não há motivos para preocupações com uma recessão.

     “O crescimento do emprego é forte, a taxa de desemprego é baixa, os gastos do consumidor permanecem sólidos e existe um acordo comercial de primeira fase entre os Estados Unidos e a China”, disse ele.

     O vice-presidente da Scotiabank Economics, Derek Holt, afirmou que “não são esperadas mudanças significativas nas declarações e esperamos orientações semelhantes sobre como a economia dos Estados Unidos está em um bom lugar e apenas um choque material com as expectativas do Fomc geraria o risco de orientações políticas adicionais”.

     Para ele, a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, deve enfatizar a menor incerteza de curto prazo decorrente dos acontecimentos comerciais entre os Estados Unidos e a China, “enquanto qualquer questionamento sobre o impacto do coronavírus provavelmente será tratado como um risco que está sendo monitorado”.

     Por fim, embora o Fed tenha falado de ajuste de meio do ciclo no ano passado, quando cortou os juros, “os indicadores econômicos sugerem que estamos atrasados no ciclo. Portanto, esperamos que o Fed seja forçado a reduzir as taxas de volta para zero antes do final do ano”, disse Marey.

     As informações são da Agência CMA.

     Revisão: Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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