Preços do trigo têm muita volatilidade em janeiro

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Porto Alegre, 31 de janeiro de 2020 – Os mercados nacional e internacional de trigo tiveram muita volatilidade em janeiro. O quadro foi bastante diferente do cenário de calmaria observado em boa parte de 2019.

O analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, observa que os preços da Bolsa de Mercadorias de Chicago atingiram o maior patamar desde meados de 2014.

“Entre os fatores altistas, está a projeção da segunda menor colheita da história dos Estados Unidos. Além disso, há quebra de safra na Austrália, devido a diversos fatores climáticos negativos. Já a França, um dos principais fornecedores de trigo à Europa, tendo a União Europeia em conjunto como grande exportadora de trigo, sofre com problemas sociais, ocasionando problemas logísticos devido a greves. Outro ponto é a restrição da Rússia para exportações, devido a fatores políticos visando o seu controle. Por último, a Argentina vem tendo grande demanda internacional pelo seu produto. Desta forma, o percentual de comercialização dos excedentes já supera os 90%, bem acima dos pouco mais de 60% habituais para o mesmo período”, contextualizou.

Dentro desta conjuntura, o mercado brasileiro recebeu diversos estímulos para elevações de preços mais representativas. Além da situação na Argentina, o câmbio segue oscilando de maneira mais representativa, chegando a atingir nova máxima histórica de fechamento neste final de janeiro. Isso eleva, pelas paridades de importação, os custos de aquisição no mercado internacional.

“Estes fatores já abrem espaços significativos para correções dos preços internos, no Brasil. Os moinhos brasileiros voltam suas atenções para alternativas internas, aquecendo a demanda no mercado doméstico, colaborando para recuperações”, disse.

Para os próximos meses, o analista acredita que o mercado tende a apresentar um desaquecimento, principalmente por fatores domésticos. “A indústria já se encontra abastecida, com estoques suficientes para os próximos meses, sem maiores necessidades de novas aquisições. Além disso, boa parte dos ofertantes volta suas atenções para a negociação das culturas de verão, deixando o trigo de lado”, explicou.

Assim, o cenário de menor liquidez deve levar a uma maior estabilidade dos preços, oscilando principalmente por fatores cambiais, e estímulos externos. “Eventuais oportunidades de preços mais atrativos aos compradores poderão trazer maior aquecimento ao mercado, contudo pouco provável dentro da atual conjuntura”, finalizou.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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