Café volta a cair com dólar em alta e coronavírus

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     Porto Alegre, 21 de fevereiro de 2020 – O mercado internacional de café teve uma semana em que prevaleceram quedas na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o arábica, que baliza as cotações. Também em Londres o robusta terminou a semana em baixa. A alta do dólar contra o real e outras moedas e a apreensão com o coronavírus pressionaram o mercado.

     Após ganhos ao final da semana passada em NY, a bolsa não operou devido ao feriado do Dia do Presidente dos Estados Unidos na segunda-feira. Na terça-feira, NY teve fortes perdas, na quarta-feira uma ligeira alta e voltou a tombar na quinta-feira. A alta do dólar estimulou o movimento vendedor, assim como os temores com os efeitos na economia chinesa e global com o coronavírus, que segue se expandindo e deve afetar a demanda da China por produtos agrícolas.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o mercado de café reagiu na última semana, mas não consegue sustentar níveis mais altos de preços. “O fato é que o café arábica andava pressionado demais, por conta do pessimismo causado pelo coronavírus. Assim, bastou um alívio externo para que o preço do café recuperasse espaço perdido. E, com isso, o contrato maio/20 foi a 113,80 centavos de dólar no último dia 18 de fevereiro. Só que subiu demais e acabou estimulando realizações e correções, afinal de contas o risco China segue presente”, comenta.

     Barabach indica que o mercado de café segue sem grandes novidades do lado fundamental. “O abastecimento global continua tranquilo. E o clima segue favorável às lavouras de café do Brasil, o que sustenta a promessa de safra brasileira 2020 recorde (SAFRAS projeta 68 milhões de sacas). Pelo lado da demanda, segue a postura defensiva frente à incerteza que toma conta dos mercados globais. Isso deve continuar limitando o potencial de alta do mercado”, adverte.

     No balanço da semana, o café arábica na Bolsa de Nova York para maio caiu do fechamento da semana passada de 106,70 para 104,95 centavos de dólar por libra-peso nesta quinta-feira, acumulando perda de 1,6%. Em Londres, o robusta para maio caiu no mesmo comparativo 2,7%.

     No Brasil, a alta da semana passada em Nova York, com o dólar também avançando, levou as cotações dos arábicas de melhor qualidade a superarem a faixa de R$ 500,00 a saca. Barabach comenta que aquela alta levou a uma tímida melhora na liquidez do mercado. Mas, a grande volatilidade continua atrapalhando os negócios. “O fato é que vendas seguem concentradas em pequenos lotes e a demanda focada em bebidas melhores. O mercado subiu apoiado na alta na ICE e, principalmente, no dólar perto de níveis históricos. Com isso, os cafés melhores voltaram a ser negociados em torno R$ 500 a saca, tanto no disponível como para entrega futura da safra brasileira 2020”, comentou.

     Porém, NY caiu e os preços voltaram a ceder no país. No balanço, o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, que encerrou a semana passada a R$ 500,00 a saca na compra fechou nesta quinta-feira em R$ 485,00 a saca. E isso que o dólar atingiu patamares históricos de alta, com o comercial acumulando alta até a quinta-feira de 2,1% nesta semana, chegando a R$ 4,392.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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