Com dólar valorizado, preço do algodão se recupera no Brasil

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     Porto Alegre, 21 de fevereiro de 2020 – A forte desvalorização cambial, com o dólar rompendo a barreira de R$ 4,40 nesta sexta-feira, segue dando suporte para a recuperação dos preços domésticos. No final desta terceira semana de fevereiro, a pluma era cotada a R$ 2,87 por libra-peso na média do CIF de São Paulo, acumulando alta semanal de 1,2% e atingindo o maior patamar desde 10 de maio de 2019.

     Conforme o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, a comparação em relação ao mesmo período do ano passado permite vislumbrar o reflexo da desvalorização da moeda brasileira em relação à norte-americana. “Em reais, o preço atual tem um recuo anual de apenas 0,4%. Em dólar, as perdas acumuladas chegam a 15%”, pondera.

     Essas variações frente à igual momento do ano passado mostram que a valorização do dólar em relação ao padrão monetário nacional (+17%) conseguiu anular os efeitos da queda do algodão na Bolsa de Nova York (-5%) e garantir uma melhora da competitividade da pluma brasileira. Na manhã desta sexta-feira (21), a indicação no FOB estivado do porto de Santos/SP estava em 66,49 centavos de dólar por libra-peso (c/lb). Comparado ao contrato spot negociado na Ice Futures de Nova York, era 3,04% inferior. Há um ano, era 7,02% superior.

     Com os trabalhos de plantio finalizados, a área total plantada com algodão no Brasil ficou em 1,624 milhão de hectares, o que corresponde a uma queda de 2,2% em relação à safra passada, conforme SAFRAS & Mercado. “O clima, com a regularização das chuvas em meados do último mês de dezembro, permitiu a realização dos trabalhos dentro da janela de plantio”, lembra Bento.

     Os produtores estão otimistas em relação ao potencial de produtividade. Contudo, reportam um aumento significativo das populações de bicudo-do-algodoeiro. “A praga vem sendo controlada com aplicações de defensivos e até o momento não é possível falar em redução do potencial de produção, mas já fica claro que os cotonicultores terão de desembolsar mais para controlar a praga”, completa o analista.

     Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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