Café mostra-se menos prejudicado por coronavírus e sobe em fevereiro

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    Porto Alegre, 28 de fevereiro de 2020 – Apesar dos temores envolvendo o alastramento do coronavírus, o O mercado internacional do café, balizado pela Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o arábica, fechou fevereiro com um balanço positivo. Também no mercado físico brasileiro as cotações avançaram, puxadas por NY e pelo dólar, que atingiu recordes.

     A apreensão com a evolução do coronavírus e seus efeitos sobre a economia da China e do mundo afetaram as bolsas de valores e os mercados futuros de commodities agrícolas. Medo leva à fuga de capitais desses mercados de maior risco e derruba preços. Foi o que se viu em fevereiro. O café também foi afetado, mas, como indica o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, mostrou-se menos vulnerável.

     Tanto que em NY, o arábica oscilou ultimamente (até esta quinta-feira, 27) em torno da importante linha de US$ 1,10 a libra-peso. Segundo Barabach, em meio às idas e vindas e todo o estresse causado pelo novo coronavírus, a posição maio em NY manteve parte da recuperação e acabou sustentando essa linha de 110 centavos. “É verdade que não mostra força para avançar muito além desse patamar, mas, por outro lado, consegue manter uma boa distância em relação à importante linha psicológica de 100 cents, o que já é bastante positivo. No geral, o mercado volta a elevar o patamar de atuação na ICE em NY”, comenta.

     Ele adverte que o pessimismo causado pelo Covid-19 deve servir como um limitador aos ganhos na ICE em NY. “As empresas começam a quantificar o impacto do vírus em seus resultados e isso tende a ter um efeito negativo sobre os mercados. O novo estágio da epidimia, que se alastra com mais força fora da China, deve continuar mexendo com o humor dos operadores”, avalia. O mercado de commodities acaba repercutindo todo esse movimento. O índice CRB já acumula perdas próximo de 10% desde o começo do ano. “E, lógico, isso acaba interferindo no andamento do mercado de café na bolsa norte-americana”, acredita.

    Em relação aos fundamentos, Barabach avalia que o  ambiente fundamental do café continua relativamente tranquilo. “O clima segue favorável às lavouras de café do Brasil, o que sustenta a promessa de uma safra brasileira recorde em 2020.A notícias do conilon seguem muito positivas, tanto em Rondônia como no Espírito Santo, o que deve ajudar a consolidar o novo patamar produtivo brasileiro”, avalia o consultor. Ele lembra  que ao longo de março, mais para o final do mês, é normal já começar a aparecer alguns lotes de conilon precoce no mercado.

     Enquanto isso, a demanda externa está na defensiva, diante da incerteza que cerca os mercados globais. O forte fluxo de embarques do Brasil ao longo dos últimos meses garante um bom abastecimento de origem Brasil, diz Barabach. A tendência é que o comprador alongue o seu estoque de Brasil, enquanto espera a chegada da safra 2020.

    No balanço mensal de fevereiro até o dia 27, o contrato maio do café arábica em Nova York acumulava uma alta de 4,6%, tendo avançado de 104,90 centavos de dólar por libra-peso ao final de janeiro para 109,75 centavos (fechamento de 27/02). O café robusta na Bolsa de Londres não teve o mesmo desempenho, com o contrato maio caindo no mesmo comparativo de US$ 1.342 para US$ 1.289 a tonelada.

     No mercado físico brasileiro, as cotações também subiram, assim como em Nova York. Além do suporte da bolsa, o dólar atingiu recordes no mês, dando sustentação às cotações em reais. O dólar comercial subiu em fevereiro 4,4% até o dia 27, tendo fechado a quinta-feira a R$ 4,477.

     Assim, o café arábica duro com 15% de catação no Sul de Minas subiu de R$ 455,00 a saca na base de compra no final de janeiro para R$ 510,00 a saca, alta de 12,1%. O conilon tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, subiu no comparativo de R$ 300,00 para R$ 308,00 a saca, acumulando ganho de 2,7%.

     O consultor de SAFRAS descreve que o mercado físico melhora o patamar de preço, mas segue ainda muito calmo de negócios. “A demanda continua compassada e seletiva por qualidade, diante do maior interesse em bebidas melhores, especialmente os cafés mais finos. O produtor mantém a postura defensiva, bem capitalizado e com pouco café disponível. Nesse sentido, as pontas continuam muito distantes, o que trava os negócios”, afirma. As movimentações limitam-se a lotes esporádicos, guiado pela necessidade de fluxo de caixa do produtor ou diante da necessidade de um exportador mais curto, em típico “mercado de buraco”, conclui.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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