Forte depreciação cambial melhora competitividade do algodão brasileiro

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     Porto Alegre, 6 de março de 2020 – A forte alta do dólar em relação ao real segue anulando os efeitos da retração externa sobre os preços domésticos do algodão brasileiro. Nesta primeira semana de março, a pluma nacional acumulou alta de 0,87%, com a média no CIF de São Paulo chegando a R$ 2,89/libra-peso.

     No FOB exportação do porto de Santos/SP a indicação na manhã desta sexta-feira era de 63,05 cents de dólar por libra-peso (c/lb). “Graças ao fator cambial, ao contrário dos preços para o mercado interno, a indicação no porto apresenta recuo de 2,9% em relação ao fechamento da semana anterior”, destaca o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento. Comparado ao contrato de maior liquidez negociado na Bolsa de Nova York (Ice Futures US), o algodão brasileiro está 0,75% abaixo. Há uma semana, estava 5,4% acima.

     Conforme Bento, o ritmo dos negócios tem se caracterizado pela morosidade. “Com volumes recordes escoados via exportação, a melhora da competividade devido à depreciação do real dá aos agentes do lado da oferta do mercado interno a possibilidade de elevar suas pedidas”, explica. Isso ocorre principalmente para as fibras de qualidade superior. Os produtores seguem com as atenções voltadas para os tratos culturais da safra nova e aproveitam momentos atrativos para fechar negócios especialmente de safras futuras.

     Na outra ponta as indústrias seguem no mercado, mas não demonstram interesse em alongar estoques. “A fraqueza da economia e as incertezas em relação ao coronavírus, além de trazerem volatilidade ao mercado, podem resultar em mais um ano de PIB baixo e, consequentemente, baixo consumo de produtos têxteis”, completa

     Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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