Preços do suíno seguem firmes e aposta é positiva

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     Porto Alegre, 6 de março de 2020 – Os preços tanto do suíno vivo como dos principais cortes do atacado seguem firmes neste momento. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, a reposição entre atacado e varejo começou a avançar, contudo de maneira tímida, com varejistas ainda cautelosos, aguardando sinais mais claros de aquecimento do consumo, o que tende a acontecer nos próximos dias com a entrada da massa salarial na economia.

     “O ponto que preocupa os granjeiros neste momento é o aumento do custo de nutrição animal, comprimindo as margens operacionais da atividade. O milho continua em tendência de alta do país, com produtores optando pela retenção das ofertas”, acrescenta Maia.

     Os embarques da carne suína brasileira vêm apresentando bons números, contudo, são negócios firmados antes do aprofundamento da crise do coronavírus. “A China está menos atuante nas negociações globais, por conta da logística travada, devido ao coronavírus, o que tende a impactar os números da exportação de carne suína do Brasil entre março e abril, conclui.

     As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 67,4 mil toneladas em fevereiro, conforme dados divulgados  pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

     Segundo a entidade, o volume embarcado em fevereiro é recorde para o mês e supera em 24,7% a quantidade exportada no mesmo período de 2019 (54,1 mil toneladas).

     Já a receita mensal das exportações chegou a US$ 154,9 milhões, 54,6% maior em relação ao resultado obtido no segundo mês de 2019 – US$ 100,2 milhões.

     No acumulado do ano, as exportações de carne suína chegaram a 135,9 mil toneladas, volume 32,4% maior em relação ao alcançado no primeiro bimestre de 2019, com total de 102,6 mil toneladas. As vendas do período geraram receita de US$ 319,1 milhões, saldo 66,2% superior ao registrado nos dois primeiros meses de 2019, com US$ 192 milhões.

     “O preço médio das exportações segue elevado, puxado pela forte demanda asiática por proteína animal. Os impactos das ocorrências de Peste Suína Africana (PSA) no rebanho de mercados como China e Vietnã mantiveram o fluxo dos embarques elevados, em níveis atípicos para o período”, aponta Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.

     Principal destino das exportações, a China incrementou suas compras em 161% na comparação com o mesmo período do ano passado, para 31 mil toneladas.

     “As questões pontuais de logística decorrentes das ações de controle ao Covid-19 não geraram impactos significativos no saldo final das exportações brasileiras. Ajustes logísticos garantiram o desembaraço das cargas no mercado chinês. O governo chinês prioriza o trânsito de alimentos”, disse Francisco Turra, presidente da ABPA.

     O Japão também elevou expressivamente suas compras de carne suína do Brasil, com total de 678 toneladas em fevereiro, crescimento de 239% na comparação com o mesmo mês de 2019.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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