Corteva é 1ª empresa do agronegócio a integrar Cubo Itaú

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     São Paulo, 13 de março de 2020 – A Corteva Agriscience anunciou na quinta, 12, parceria com o Cubo Itaú, se tornando a primeira empresa do agronegócio mantenedora do hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico, o maior da América Latina. A intenção inicial é criar soluções para enfrentar desafios de capacitação dos produtores rurais, maior acesso ao crédito rural e ampliar a utilização de operações de Barter.

     “Somos uma empresa de inovação 100% focada em agricultura. Nesse momento, entendemos que era importante estabelecer uma parceria que nos permitisse contato com inovações adotadas em outros setores e, com isso, identificar soluções que possam ser estendidas ao nosso mercado”, explica Douglas Ribeiro, Diretor de Marketing da Corteva Agriscience.

     Segundo Pedro Prates, co-head do Cubo Itaú, a parceria com a empresa trará novas possibilidades para expandir canais com startups do segmento. “A Corteva será a primeira empresa do ramo de agronegócio a integrar o Cubo, uma parceria estratégica para fortalecer o desenvolvimento de AgTechs no país. Essa parceria nos permitirá um olhar direcionado para o agronegócio, um cenário que é novo para o hub, estabelecendo conexões assertivas e de importância para o cenário nacional e mundial”.

     Em relação à capacitação dos produtores rurais, o foco é ampliar a participação dos agricultores da região Nordeste no programa Prospera, desenvolvido desde 2017 pela empresa. Hoje, o programa conta com a adesão de cerca de 900 participantes, que conseguiram elevar os níveis de produtividade de milho de 10 sacas para até 125 sacas e com média de 80 sacas por hectare.

     A meta da Corteva com a parceria é levar o Prospera para 50 mil produtores rurais da região Nordeste no prazo de cinco anos. “O acordo com o Cubo visa fazer com que o produtor rural use adequadamente as soluções, com bons resultados”, explica Ribeiro.

     Crédito

     A dificuldade de acesso ao crédito é uma barreira ao desenvolvimento do agronegócio no Brasil, seja pelo alto grau de burocracia e exigências, prazo para recebimento do dinheiro ou ainda pela dificuldade de avaliação do perfil de risco, principalmente considerando um setor que é tão dependente de fatores climáticos, como o agronegócio.

     “Como indústria, temos o desafio de buscar modelos de negócios mais ágeis, modernos e digitais para facilitar o acesso ao crédito pelo produtor rural, com ferramentas que permitam avaliações de risco diferenciadas, considerando fatores como histórico de produtividade, perfil da região, média de inadimplência, e não só dados financeiros. E aqui, as startups podem nos ajudar com soluções que já foram implementadas em outros setores, por exemplo”, comenta Douglas Ribeiro.

     Ainda na linha de acesso a financiamentos, o Barter é outro desafio da indústria. No agronegócio, ele consiste em um mecanismo de financiamento no qual o pagamento pelo insumo é feito por meio da entrega do grão na pós-colheita, sem a intermediação monetária. É uma ferramenta que mitiga risco e negocia na moeda do produtor.

     Os processos ainda são muito burocráticos e envolvem diversos players, o que dificulta o acesso a essa ferramenta por parte dos agricultores. Ainda segundo o estudo da Corteva, nas revendas e cooperativas pesquisadas, o Barter representa cerca de 20% da forma de pagamento utilizada. “Nesse sentido, a colaboração das startups do Cubo Itaú pode ser fundamental na criação de instrumentos que nos ajudem a promover um fluxo de trabalho eficiente, ágil e digital. Podemos, inclusive, desenvolver soluções que podem ser levadas para outros países”, complementa Ribeiro.

     Tanto em relação ao crédito como ao Barter, a Corteva não definiu metas em números. Segundo Ribeiro, a Corteva não fez a parceria com o objetivo de prospecção, mas sim para encontrar soluções. “Temos uma equipe de 10 pessoas na empresa pensando exclusivamente em Barter e cerca de 500 atendendo diretamente o produtor. Mas há um potencial ainda enorme para impactar no mercado. Não projetamos a quanto chegar, mas temos a ideia de encontrar soluções para viabilizar esses processos”, completou Ribeiro.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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