Café reage em meio à pandemia com correção e apreensão com oferta

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     Porto alegre, 20 de março de 2020 – Os preços do café arábica reagiram nessa semana na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) mesmo em meio à turbulência com a pandemia do coronavírus e as preocupações envolvendo os efeitos sobre as economias pelo mundo. Correção técnica e temores em torno do abastecimento de café, especialmente dos grãos de melhor qualidade, garantiram a subida.

     Houve muita volatilidade na ICE Futures na semana, refletindo as incertezas e “pânico” com a pandemia. Os tombos nas bolsas de valores, petróleo e commodities pressionaram também o café. Assim, na segunda-feira e na terça-feira (dias 16 e 17), as cotações do arábica caíram na Bolsa, com o contrato maio registrando mínima no dia 17 de 101,40 centavos de dólar por libra-peso. O mercado ameaçou romper a importante linha de US$ 1,00 a libra-peso.

     Porém, na quarta-feira e na quinta-feira (dias 18 e 19), NY teve fortes altas, de 5,6% e 4,1% no fechamento, respectivamente, para o contrato maio. Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o mercado teve uma correção técnica e ainda refletiu temores em torno do abastecimento de café de qualidade. “Chama a atenção o receio em torno do abastecimento de qualidade. O ponto chave é a queda nos estoques de café certificados na ICE em NY”, comenta. O relatório do dia 19 de maio apontava 2,07 milhões de sacas dentro dos armazéns da bolsa.

     A dificuldade no acesso aos grãos de melhor qualidade tem elevado a procura por cafés certificados (mais baratos que no mercado físico). Barabach indica ainda que a notícia de que o sindicato dos estivadores do porto de Santos pediu a paralisação das atividades trouxe ainda maior medo com o desabastecimento. Porém , o porto afirmou que a atividade segue normal. “Além disso, muito exportadores de café disseram que uma eventual paralisação dos estivadores não afetaria os containers (café é embarcado via container). Em todo caso, a notícia amplia o receio em torno do abastecimento e colabora com a puxada nos preços lá fora”, afirma.

     No balanço da semana, o contrato  março em NY subiu de 106,75 centavos a saca de 60 quilos (fechamento da sexta-feira 13/03) para 112,70 centavos nesta última quinta-feira (19), acumulando uma alta de 5,6%. NY se distanciou da linha de US$ 1,00 e voltou, assim, a trabalhar acima do patamar de US$ 1,10. Já o robusta na Bolsa de Londres não teve o mesmo desempenho e no mesmo comparativo recuou de US$ 1.241 para US$ 1.216 a tonelada, acumulando perda de 2%, mais pressionado por quedas do petróleo e de outros mercados.

     Barabach indica que o mercado internacional de café deve seguir volátil e vulnerável às flutuações no preço do petróleo, do índice de commodities CRB e do dólar.

     No mercado físico brasileiro de café, houve negociações envolvendo mais pequenos lotes e com cautela de compradores e vendedores. No comparativo da sexta-feira passada (13) com esta quinta-feira (19), o café arábica bebida boa subiu de R$ 545,00 para R$ 555,00 a saca na base de compra no sul de Minas Gerais. O conilon tipo 7 em Vitória/Espírito Santo avançou no comparativo de R$ 310,00 para R$ 325,00 a saca. O mercado nacional foi sustentado ainda pela alta do dólar a patamares recordes, passando de R$ 4,828 para R$ 5,097 no comparativo entre os dias 13 e 19.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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