Coronavírus instabilizou mercado de carne bovina em março

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     Porto Alegre, 03 de abril de 2020 – O mercado físico de boi gordo teve um mês marcado por severa instabilidade em março. “Os frigoríficos reagiram na medida em que a pandemia de coronavírus causou transtornos, tanto no âmbito doméstico como no cenário internacional”, disse o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

     Segundo ele, os grandes frigoríficos brasileiros enfrentaram dificuldade para escoar a produção para a União Europeia, com os confinamentos adotados lá e cá afetando drasticamente os padrões de consumo. “Com restaurantes e outros estabelecimentos fechados, os cortes nobres de carne bovina sofreram um baque. No Brasil, o consumidor se voltou aos cortes de menor qualidade e também para a carne de frango”, disse Iglesias

    Com isso, os preços a arroba do boi gordo na modalidade à vista nas principais praças de comercialização do País estavam assim no dia 02 de abril:

* São Paulo (Capital) – R$ 201,00 a arroba, contra R$ 200,00 a arroba em 28 de fevereiro, subindo 0,5%.

* Goiás (Goiânia) – R$ 188,00 a arroba, ante R$ 190,00 a arroba (-1%).

* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 195,00 a arroba, contra R$ 192,00 a arroba (+1,5%).

* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 190,00 a arroba, estável.

* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 178,00 a arroba, ante R$ 185,00 a arroba (-3,7%).

    Para o mês de abril, com as políticas de isolamento social mantidas, o viés é incerto para o mercado de carne bovina, em meio à queda nas vendas internas e externas. Assim, é bastante provável que os frigoríficos comecem a pressionar os pecuaristas por preços mais baixos para a matéria-prima, assinalou Iglesias.

Exportações

     As exportações de carne bovina “in natura” do Brasil renderam US$ 555,4 milhões em março (22 dias úteis), com média diária de US$ 25,2 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 125,9 mil toneladas, com média diária de 5,7 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.410,50.

    Na comparação com fevereiro, houve baixa de 8% no valor médio diário da exportação, perda de 6,9% na quantidade média diária exportada e queda de 1,3% no preço. Na comparação com março de 2019, houve ganho de 8,8% no valor médio diário, queda de 8,2% na quantidade média diária e ganho de 18,6% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

     Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) /     Agência SAFRAS

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