Demanda no mercado suíno arrefece em março diante do coronavírus

183

     Porto Alegre, 3 de abril de 2020 – Ainda que os preços praticados no mercado suíno tenham encerrado o mês de março em patamares melhores na comparação com fevereiro no atacado, o cenário de demanda ao longo do mês se mostrou preocupante. De acordo com o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, o mercado esteve pressionado em meio ao ambiente de negócios arrefecido ao longo da cadeia, principalmente da segunda quinzena de março em diante.

     Maia informa que as redes varejistas têm atuado de maneira comedida nas negociações, com seus estoques relativamente cheios e avaliando o comportamento da demanda, que se contraiu em meio à crise do coronavírus. “Diante da dificuldade do escoamento da carne por parte dos frigoríficos, há pouca disposição na compra de animais. Os granjeiros estão preocupados, uma vez que novas quedas não são descartadas para o quilo vivo no curto prazo, somado ao cenário de alto custo na produção”, avalia.

     Conforme Maia, não há até o momento uma ideia concreta de quanto tempo durarão as medidas restritivas, tais como o fechamento de restaurantes e shoppings, com governos estaduais prevendo o crescimento dos casos de coronavírus, o que traz insegurança ao mercado.

     Levantamento mensal de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil passou de R$ 4,99 para R$ 4,80, baixa de 3,92%. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado subiu 0,08% de R$ 8,97 para R$ 8,98. A carcaça registrou um valor médio de R$ 8,13, avanço de 0,46% ante os R$ 8,09 praticados na semana anterior.

     Com uma demanda interna enfraquecida, um alto fluxo de embarques será fundamental para evitar uma pressão mais acentuada no mercado doméstico nas próximas semanas. “Até o momento os números de exportação são excelentes. De acordo com os dados preliminares da Secretária de Comércio Exterior (SECEX), o Brasil exportou 63,3 mil toneladas de carne suína in natura em março, com uma média diária de 2,9 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 2.463,40, sendo 20,7% maior em relação a março/19, de US$ 2.041,10”, pontua.

     A análise mensal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 108,00 para R$ 100,00. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo continuou em R$ 4,20. No interior do estado a cotação recuou de R$ 5,25 para R$ 4,95.

     Em Santa Catarina o preço do quilo na integração subiu de R$ 4,20 para R$ 4,25. No interior catarinense, a cotação caiu de R$ 5,30 para R$ 5,15. No Paraná o quilo vivo baixou de R$ 5,20 para R$ 5,10 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo recuou de R$ 4,60 para R$ 4,20.

     No Mato Grosso do Sul a cotação na integração seguiu em R$ 4,30, enquanto em Campo Grande o preço baixou de R$ 4,70 para R$ 4,60. Em Goiânia, o preço caiu de R$ 5,70 para R$ 5,00. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno teve queda de R$ 5,70 para R$ 5,20. No mercado independente mineiro, o preço também recuou de R$ 5,70 para R$ 5,10. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis cedeu de R$ 4,55 para R$ 4,40. Já na integração do estado a cotação passou de R$ 4,10 para R$ 4,15.

     Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

Copyright 2020 – Grupo CMA