Mercado de milho encerra março com apreensão com liquidez com coronavírus

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     Porto Alegre, 03 de abril de 2020 – O mercado brasileiro de milho teve um mês de março de balanço positivo para os preços, mas com preocupação com a expansão da pandemia do coronavírus e seus efeitos sobre a comercialização. A oferta foi limitada pelos produtores e houve suporte pela preocupação com a falta de chuvas em importantes regiões produtoras da safrinha.

     A falta de umidade em regiões do Paraná e Mato Grosso do Sul, por exemplo, gerou preocupação com a possibilidade de quebra da safrinha, o que garantiu suporte às cotações. A oferta esteve ajustada à demanda ao longo do mês, o que determinou avanços nas cotações no período.

     Entretanto, segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari, o mês encerrou com uma grande preocupação com a menor liquidez para a comercialização de milho diante das restrições na sociedade de modo geral com a pandemia do coronavírus. Isso pode afetar a demanda e as cotações viraram o mês de março para abril já sinalizando um enfraquecimento.

     No balanço de março, o preço do milho em Campinas/CIF subiu de R$ 56,00 para R$ 62,00 a saca de 60 quilos na base de venda, alta de 10,7%. Na região Mogiana paulista, as cotações avançaram de R$ 52,50 para R$ 60,00 a saca, avanço de 14,2%.

     Em Cascavel, no Paraná, o preço passou de R$ 47,00 para R$ 50,00 a saca entre o final de fevereiro e o fim de março, acumulando, assim, alta de 6,4%  na base de venda. Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação passou de R$ 47,00 para R$ 48,00 a saca (+2,1%). Já em Erechim, Rio Grande do Sul, houve avanço de R$ 49,00 para R$ 52,50, valorização de 7,1%.

Exportações

     As exportações de milho do Brasil apresentaram receita de US$ 90,1 milhões em março (22 dias úteis), com média diária de US$ 4,1 milhões. A quantidade total de milho exportada pelo país ficou em 494,6 mil toneladas, com média de 22,5 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 182,10.

     Na comparação com a média diária de fevereiro, houve um avanço de 8,3% no valor médio exportado, uma alta de 16,8% na quantidade média diária e perda de 7,3% no preço médio. Na comparação com março de 2019, houve baixa de 48,1% no valor médio diário exportado, queda de 48,3% na quantidade média diária de volume e ganho de 0,4% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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