Excedente de oferta pressiona mercado suíno e preços cedem

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     Porto Alegre, 24 de abril de 2020 – Apesar do desempenho positivo das exportações, o mercado suíno segue enfrentando um movimento de queda nas cotações. Nessa semana o cenário não foi diferente. De acordo com o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, há um quadro de oferta excedente no mercado interno frente à atual capacidade de demanda, o que mantém os preços em queda.

     Conforme o analista, os frigoríficos seguiram atuando de maneira cautelosa na aquisição de animais para abate, diante da dificuldade no escoamento da carne no mercado doméstico, o que resultou em represamento de suínos nas granjas. “Esse quadro de pressão tende a ser mantido nos próximos dias, apesar do surgimento de notícias projetando uma retomada das atividades econômicas em várias localidades do país, a partir de maio, como é o caso de São Paulo” comenta.

     Para Maia, a retomada do funcionamento de restaurantes, de shoppings, de redes hoteleiras e outros estabelecimentos é importante para que haja um estancamento das quedas nos preços. “Um ajuste de produção também se mostraria necessário neste momento”, pontua.

     Levantamento semanal de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil passou de R$ 4,04 para R$ 3,83, baixa de 5,05%. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado caiu 2,50%, de R$ 8,56 para R$ 8,35. A carcaça registrou um valor médio de R$ 6,41, recuo de 6,39% ante os R$ 6,85 praticados na semana anterior.

     A receita diária média obtida com as exportações brasileiras de carne suína fresca, refrigerada ou congelada chegou a US$ 7,566 milhões nas três primeiras semanas de abril, entre os dias 01 e 17.

     Na comparação com a média diária de abril de 2019, de US$ 5,481 milhões, verifica-se alta de 38,05% no valor obtido diariamente pelas exportações de carne suína.

     Com doze dias úteis contabilizados em abril até o dia 17, foram exportadas 37,257 mil toneladas de carne suína, com receita total de US$ 90,802 milhões e um preço médio de US$ 2.437,17 por tonelada. Os dados partem da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

     A análise semanal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 79,00 para R$ 73,00. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo seguiu em R$ 4,10. No interior do estado a cotação recuou de R$ 4,15 para R$ 3,65.

     Em Santa Catarina o preço do quilo na integração permaneceu em R$ 4,10. No interior catarinense, a cotação caiu de R$ 4,10 para R$ 3,60. No Paraná o quilo vivo baixou de R$ 3,90 para R$ 3,70 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo recuou de R$ 3,90 para R$ 3,80.

     No Mato Grosso do Sul a cotação na integração seguiu em R$ 4,10, enquanto em Campo Grande o preço retrocedeu de R$ 4,20 para R$ 4,20. Em Goiânia, o preço caiu de R$ 4,20 para R$ 3,80. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno seguiu em R$ 4,40 para R$ 4,10. No mercado independente mineiro, o preço caiu de R$ 4,10 para R$ 3,90. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo na integração do estado seguiu em R$ 3,75. Já em Rondonópolis a cotação baixou de R$ 3,75 para R$ 3,70.

     Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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