Mercado suíno fecha abril enfraquecido, apesar das boas exportações

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     Porto Alegre, 30 de abril de 2020 – O mercado brasileiro de carne suína vai fechando o mês de abril bastante enfraquecido. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, as medidas de isolamento social por conta do coronavírus acabaram impactando a cadeia produtiva, com a manutenção de restaurantes e shoppings fechadas, o que trouxe um quadro de excedente de oferta da proteína no mercado doméstico e uma consequente pressão nas cotações. “Nem mesmo as boas exportações foram suficientes para evitar um quadro de queda nos preços”, disse.

     De maneira geral, os frigoríficos atuaram com cautela na aquisição de animais para abate ao longo de abril, com dificuldade em escoar sua produção de uma maneira satisfatória. “Com animais represados nas granjas e preços fracos a tendência é de que ocorra um corte no alojamento de suínos nos próximos meses, principalmente nos estados não exportadores”, avalia.

     Além disso, Maia entende que o efeito desse menor movimento de consumo poderá ser sentido também no Dia das Mães, data que tradicionalmente possui um bom apelo de demanda.

     Levantamento mensal de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil passou de R$ 4,83 para R$ 3,73, baixa de 22,66%. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado caiu 7,53%, de R$ 9,01 para R$ 8,34. A carcaça registrou um valor médio de R$ 6,27, recuo de 23,67% ante os R$ 8,21 praticados no fechamento do mês anterior.

     A receita diária média obtida com as exportações brasileiras de carne suína fresca, refrigerada ou congelada chegou a US$ 7,041 milhões nas quatro primeiras semanas de abril, entre os dias

 01 e 24.

     Na comparação com a média diária de abril de 2019, de US$ 5,481 milhões, verifica-se alta de 28,47% no valor obtido diariamente pelas exportações de carne suína.

     Com 16 dias úteis contabilizados em abril até o dia 24, foram exportadas 46,665 mil toneladas de carne suína, com receita total de US$ 112,667 milhões e um preço médio de US$ 2.414,30 por tonelada. Os dados partem da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

     A análise mensal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 101,00 para R$ 71,00. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo baixou de R$ 4,20 para R$ 4,10. No interior do estado a cotação recuou de R$ 5,00 para R$ 3,60.

     Em Santa Catarina o preço do quilo na integração caiu de R$ 4,25 para R$ 4,10. No interior catarinense, a cotação retrocedeu de R$ 5,15 para R$ 3,45. No Paraná o quilo vivo baixou de R$ 5,20 para R$ 3,50 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo recuou de R$ 4,20 para R$ 3,80.

     No Mato Grosso do Sul a cotação na integração caiu de R$ 4,30 para R$ 4,10, enquanto em Campo Grande o preço retrocedeu de R$ 4,60 para R$ 3,70. Em Goiânia, o preço caiu de R$ 5,00 para R$ 3,70. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno baixou de R$ 5,20 para R$ 4,10. No mercado independente mineiro, o preço recuou de R$ 5,20 para R$ 3,70. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo na integração do estado retrocedeu de R$ 4,15 para R$ 3,70. Já em Rondonópolis a cotação baixou de R$ 4,40 para R$ 3,40.

     Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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