Com pandemia, OIC agora espera superávit na oferta de café em 2019/20

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     Porto alegre, 08 de maio de 2020 – A Organização Internacional do Café (OIC) revisou seus dados para o quadro de oferta e demanda da temporada 2019/20 e agora trabalha com a expectativa de um superávit na oferta mundial de café, devido aos efeitos da pandemia do coronavírus. Agora, a OIC espera uma sobra na oferta de 1,95 milhão de sacas, contra um déficit antes esperado de 474 mil sacas para 2019/20.

     A produção global de café no ano-safra 2019/20 (outubro-setembro) deve totalizar 168,006 milhões de sacas, queda de 1,8% na comparação com 2018/19 (171,102 milhões de sacas), disse a OIC na terça-feira em seu relatório mensal  de acompanhamento do mercado. Em abril, a OIC indicara a produção global em 168,864 milhões de sacas. A produção mundial de café arábica está estimada em 95,371 milhões de sacas em 2019/20 (-5,2%). Por outro lado, a safra de robusta deve aumentar 3,1%, totalizando 72,634 milhões de sacas.

     Já o consumo global de café em 2019/20 é visto pela OIC em 166,058 milhões de sacas, com crescimento anual de 0,5% (165,269 milhões de sacas em 2018/19). Em abril, a OIC indicara o consumo global de 2019/20 em 169,337 milhões de sacas.

     Se todos esses números forem confirmados, o mercado global de café terá um superávit entre a oferta e a demanda na ordem de 1,948 milhão sacas em 2019/20, após um excedente de 5,832 milhões de sacas observado em 2018/19. Em abril, a OIC projetava um déficit de 474 mil sacas para 2019/20.

     Conforme a OIC, a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) fez com que muitos países suspendessem atividades econômicas não essenciais e instituíssem medidas de distanciamento social, fatores que afetaram negativamente a demanda de café fora das residências. “Adicionalmente, cortes de postos de trabalho poderão impactar o consumo. Enquanto isso, a produção global de café em 2019/20 não foi afetada, já que a colheita ocorreu antes da pandemia. O impacto na produção é mais provável em 2020/21, pois a colheita já iniciou em países como o Brasil”, alertou a entidade

sediada em Londres.

     Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, a performance abaixo do esperado das importações nos primeiros 4 meses do ano comercial 2019/20 (out/jan) e o cenário de recessão global em 2020, refletindo o impacto da pandemia do coronavírus, explicam o recuo na projeção. Entre outubro de 2019 a janeiro de 2020, as importações mundiais de café somaram 40,86 milhões de sacas. Isso corresponde a uma queda de 9,4% na comparação com igual período do ano anterior.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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