Para analista, preço do arroz ao produtor se aproxima do limite – Live SAFRAS

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     Porto Alegre, 7 de agosto de 2020 – O preço do arroz em casca pago ao produtor, cuja média ultrapassou a barreira de R$ 70,00 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul – principal referencial nacional – pode estar chegando no limite de alta. A advertência foi feita pelo consultor e analista de SAFRAS & Mercado, Gabriel Viana, durante a Live de SAFRAS no Instagram desta sexta-feira. “O preço ao produtor gaúcho deve chegar, no máximo, a R$ 80 ou R$ 85 por saca”, prevê.

     Um dos limitadores seria a paridade de importação. “Já há tradings trazendo arroz de boa qualidade da Índia”, exemplifica Viana. “E com a saca custando US$ 11,00 (cerca de R$ 60,00), abaixo da cotação interna”, ressalta.  

     De qualquer forma, o analista não acredita numa queda brusca nos preços. “As cotações podem se estabilizar, mas em patamares firmes e elevados”, pondera. Os fatores de suporte são muitos: estoques de passagem baixos, quebra na safra brasileira, demanda por coronavírus e dólar.

     Neste contexto, os produtores brasileiros devem elevar a área em cerca de 5% para a safra 2020/21. De acordo com o levantamento de intenção de plantio do dia 17 de julho, realizado por SAFRAS & Mercado, a área a ser plantada com arroz no Brasil na temporada 2020/21 está estimada em 1,783 milhão de hectares, ante 1,696 milhão de hectares na anterior. O potencial produtivo é de 11,639 milhões de toneladas, 3,7% superior às 11,228 milhões de toneladas da safra 2019/20.

     Para Viana, um dos destaques será o Tocantins, que pode, em poucos anos, chegar no volume de produção de Santa Catarina, que é o segundo maior produtor. A produtividade da região é muito alta e os ótimos preços praticados nas últimas duas temporadas devem manter o incentivo para que rizicultores sigam elevando área. A estimativa é de que a área do Tocantins passe de 115 mil hectares para 125 mil hectares.

     Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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