Chicago desconsidera USDA e soja sobe mais de 1% por demanda e clima

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     Porto Alegre, 12 de agosto de 2020 – Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira com preços mais altos, apesar do relatório baixista divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

     A sinalização de demanda aquecida pela oleaginosa americana garantiu a recuperação, após o mercado testar o território negativo logo após o USDA indicar produção e estoques americanos acima do esperado. Hoje foram anunciadas vendas de 378 mil toneladas por parte de exportadores privados, sendo 258 mil para China e 120 mil para destinos não revelados.

     Os contratos iniciaram o dia perto da estabilidade, esperando o USDA. Após os números caíram, mas logo reagiram. Os possíveis prejuízos às lavouras de Illinois e Iowa em decorrência das fortes chuvas do início da semana ajudaram a sustentar as cotações.

     O relatório indicou que a safra norte americana de soja deverá ficar em 4,425 bilhões de bushels em 2020/21, o equivalente a 120,43 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior de 4,135 bilhões ou 112,54 milhões. O mercado apostava em safra de 4,278 bilhões ou 116,43 milhões de toneladas.

     Os estoques finais estão estimados em 610 milhões de bushels ou 16,6 milhões de toneladas. O mercado apostava em carryover de 527 milhões ou 14,34 milhões de toneladas. No relatório anterior, os estoques estavam projetados em 425 milhões de bushels – 11,57 milhões de toneladas.

     O USDA indicou esmagamento em 2,180 bilhões de bushels e exportação de 2,125 bilhões. Em julho, as projeções eram de 2,160 bilhões e 2,05 bilhões, respectivamente.

     O USDA projetou safra mundial de soja em 2020/21 de 370,4 milhões de toneladas. Em julho, o número era de 362,52 milhões de toneladas.

     Os estoques finais estão estimados em 95,36 milhões de toneladas. O mercado esperava por estoques finais de 98,2 milhões de toneladas. Em julho, a previsão era de 95,08 milhões de toneladas.

     A projeção do USDA aposta em safra americana de 120,4 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 131 milhões de toneladas. A Argentina deverá produzir 53,5 milhões de toneladas. A estimativa para as importações chinesas em 2020/21 é de 99 milhões de toneladas, contra 96 milhões no ano anterior.

     Para 2019/20, o USDA indicou safra de 337,28 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 95,85 milhões de toneladas, enquanto o mercado apostava em 98,6 milhões. A safra brasileira teve sua estimativa mantida em 126 milhões de toneladas. O mercado previa número de 125,4 milhões.

     A safra argentina foi reduzida de 50 milhões para 49,7 milhões de toneladas, enquanto o mercado trabalhava com 49,9 milhões. As importações chinesas foram elevadas de 96 milhões para 98 milhões de toneladas.

     Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com alta de 10,00 centavos ou 1,14% em relação ao fechamento anterior, a US$ 8,80 ½ por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 8,83 por bushel, com ganho de 9,50 centavos ou 1,08%.

     Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 0,30 ou 0,10% a US$ 289,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 31,55 centavos de dólar, alta de 1,04 centavo ou 3,4%.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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