Clima sobre o trigo preocupa no Brasil e na Argentina

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Porto Alegre, 21 de agosto de 2020 – O mercado brasileiro de trigo observa as alterações climáticas no Brasil e na Argentina. Paraná e Rio Grande do Sul receberam geada nesta semana. O primeiro é o mais suscetível a perdas devido ao desenvolvimento mais adiantado. Na Argentina, permanece a apreensão dos produtores com relação ao clima seco, com indicação de La Niña, que favorece a manutenção do quadro negativo.

Paraná

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu relatório semanal, que as lavouras evoluíram um pouco em seu quadro de desenvolvimento ao longo da semana. Até a última terça-feira, antes das geadas 83% das lavouras de trigo do estado estavam em boas condições, 15% em situação média e 2% em condições ruins. As lavouras se dividem entre as fases de crescimento vegetativo (23%), floração (25%), frutificação (38%) e maturação (14%).

O plantio da safra 2020 de trigo do estado foi estimado em 1,133 milhão de hectares, contra 1,028 milhão de hectares em 2019, alta de 10%. A produção deve ficar em de 3,686 milhões de toneladas, 72% acima das 2,141 milhões de toneladas colhidas na temporada 2019. A produtividade média é estimada em 3.252 quilos por hectare, acima dos 2.205 quilos por hectare registrados na temporada 2019.

Rio Grande do Sul

O desenvolvimento das lavouras de trigo do Rio Grande do Sul está em linha com a média dos últimos anos. Segundo boletim semanal da Emater/RS, 3% estão na fase de enchimento de grãos, 19% em floração e 78% ainda estão em desenvolvimento vegetativo ou germinação. Na semana passada, ainda não haviam lavouras em floração.

Após a onda de calor dos primeiros dez dias de agosto, a entrada de uma frente fria ocasionou tempo encoberto e chuvas com volumes variados no estado. A massa de ar frio promoveu queda de temperatura, com formação de geada em algumas localidades.

Argentina

Com o plantio de trigo já finalizado, e como consequência das geadas e do prolongado déficit hídrico, 36% da área plantada na Argentina reflete uma condição de cultivo de razoável a ruim. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, na semana passada eram 26%. Em igual período do ano passado, eram 11%.

Paralelamente, 59% das áreas tem condição hídrica de regular a seca, contra 57% na semana passada e 29% no ano passado.

“O quadro de déficit hídrico que se instala desde meados de março, é agravado pela ocorrência de geadas frequentes e intensas, que podem gerar danos irreversíveis nos quadros mais desenvolvidos”, diz o boletim da entidade. Lavouras do nordeste do país registram perdas de até 50% e a situação ainda pode piorar.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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