Entre altos e baixos, café teve agosto de preços firmes

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    Porto Alegre, 28 de agosto de 2020 – O mercado internacional do café vai chegando ao final de um mês de agosto de muita volatilidade, o que é praxe na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que baliza a comercialização da commodity. Houve altos e baixos na bolsa, mas no balanço de agosto as cotações mostraram firmeza, com NY voltando a trabalhar acima de US$ 1,20 a libra-peso.

     NY ainda tem a pressão de baixa com a finalização agora da colheita de uma safra recorde no Brasil. Porém, os agentes agora focam para a safra futura de 2021 do país, que será menor dentro do ciclo bienal da cultura. Esse fator é altista e garantiu sustentação ao café ao longo de agosto na bolsa. Além disso, há otimismo com a melhora no consumo global com a reabertura do comércio em países consumidores com o “afrouxamento” das medidas de distanciamento social em meio à pandemia do Covid-19. Tende a haver um reaquecimento no consumo de café fora dos lares.

     O mercado agora volta suas atenções para as floradas no Brasil, com vistas à safra futura de 2021. Chuvas já atingiram algumas regiões e o mercado aguarda por notícias de abertura de floradas, e do regime fundamental de chuvas adiante para o pegamento dessas floradas. O mercado monitora o clima tanto pelas chuvas que vão abrir as floradas quanto da manutenção da umidade fundamental em setembro e outubro nas regiões produtoras brasileiras.

     O contrato dezembro do café arábica na ICE Futures rompeu US$ 1,20 a libra-peso e ameaçou avançar até testar US$ 1,30. Depois houve momento de correção técnica, NY então caiu novamente abaixo de US$ 1,20 a libra-peso e esboçou uma caminhada até US$ 1,10 nas baixas. Porém, novamente ganhou forças e chegou ao dia 27 de agosto no fechamento em 123,70 centavos de dólar por libra-peso, acumulando em agosto uma alta de 0,6%. Parece um ganho modesto, mas NY ao final do mês mostra solidez acima de US$ 1,20, embora ainda possam haver correções. Em Londres, o robusta acumulou para o contrato novembro 3,2% de valorização no mês.

      No Brasil, o produtor contou com preços sustentados em agosto, ora pelos repiques da Bolsa de Nova York, ora pelas subidas do dólar. A moeda americana no comercial acumulou alta de 6,9% até o fechamento do dia 27, acima de R$ 5,50. Assim, os produtores continuaram aproveitando bons momentos para a venda do café. O ano mostra-se muito favorável à remuneração, porque o produtor colheu uma safra recorde e pode contar com movimentos de alta de NY e dólar que levaram novamente agora os arábicas de melhor qualidade à faixa próxima dos R$ 600,00 a saca, com grãos mais finos passando deste patamar.

     O produtor adiantou a comercialização este ano e agora dosa a oferta aguardando melhores oportunidades de venda. A bebida boa alcança no final de agosto R$ 595,00 a saca no disponível no Sul de Minas Gerais, acumulando alta de 2,6% no comparativo com o fim de julho, quando o mercado estava em R$ 580,00 a saca. Já o café cereja gira de R$ 680,00 a R$ 700,00 a saca, dependendo a descrição. É importante destacar que os cafés com certificados recebem ágio de R$ 35,00 a R$ 40,00 a saca, como aponta o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach. “E há uma boa procura por essas descrições. O dólar alto ajuda a elevar o prêmio pago para essas descrições. O patamar de preço continua bastante atrativo aos vendedores, o que explica o grande interesse por parte dos produtores”, comenta.

     Ao final de agosto, o mercado brasileiro de café apresenta alguns problemas logísticos, que atrapalhavam o fluxo de movimentações. “Muitas tradings dão preferência a quem entrega com prazo (15/30/45 dias) e dentro dos seus armazéns. Buscam, com isso, contornar o gargalo logístico de espaço no armazém e da falta de caminhões”, comenta Barabach. Isso ocorre diante da elevada oferta de café desta safra recorde do Brasil de 2020.

Ainda falando sobre os preços favoráveis ao produtor, Barabach indica que esse quadro também se estende para as posições antecipadas com safra 2021, que giram em torno de R$ 620,00 a R$ 640,00 a saca para entrega em Setembro de 2021 no Sul e Cerrado mineiro e também na Mogiana, dependendo da descrição da bebida. E alcançam entre R$ 630,00 a R$ 650,00 para entrega e pagamento em setembro de 2022.

     No balanço mensal, o conilon tipo 7 em Vitória Espírito Santo subiu ainda mais que o arábica, passando de R$ 360,00 a saca para R$ 408,00 (dia 27 de agosto), acumulando alta de 13,3%.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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