Com repasse de custos e boa demanda, preços do suíno sobem no Brasil

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     Porto Alegre, 9 de outubro de 2020 – O mercado brasileiro de carne suína registrou mais uma semana de aquecimento nos preços. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, os produtores fizeram reajustes nos preços do quilo vivo, em meio aos avanços nos custos de produção, especialmente do farelo de soja e do milho.

     Maia sinaliza que a entrada de salários no mercado doméstico e o alto preço da carne bovina são fatores que favorecem a busca por cortes suínos, possibilitando o avanço da reposição ao longo da cadeia. “O peso dos animais abatidos continua leve, o que ajuda a manter a disponibilidade de oferta no mercado doméstico enxuta”, pontua.

     Levantamento de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil avançou 2,34% ao longo da semana, de R$ 6,84 para R$ 7,00. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado passou de R$ 12,29 para R$ 12,60, aumento de 2,56%. A carcaça registrou um valor médio de R$ 11,50, ante os R$ 11,29 praticados na semana passada, com valorização de 1,88%.

     Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 764,9 mil toneladas nos nove primeiros meses de 2020, número que supera em 42,9% o total embarcado pelo setor no mesmo período em 2019, com 534,9 mil toneladas. O saldo acumulado em 2020 supera, inclusive, as exportações totais do ano passado, que foram de 750 mil toneladas.

     O mesmo desempenho também pode ser verificado no saldo em dólares das exportações. Entre janeiro e setembro, as vendas de carne suína do Brasil alcançaram US$ 1,677 bilhão, saldo que supera em 51,9% o resultado verificado entre janeiro e setembro de 2019, com US$ 1,103 bilhão.  O desempenho acumulado em 2020 também é maior que toda a receita obtida em 2019, de US$ 1,597 bilhão.

     Considerando apenas o mês de setembro, as vendas do setor totalizaram 86,5 mil toneladas, volume 33% superior ao efetivado no mesmo período de 2019, com 65 mil toneladas.  Em receita, a alta mensal é de 34%, com US$ 188,5 milhões no nono mês de 2020, contra US$ 140,5 milhões em 2019.

     A análise mensal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo passou de R$ 153,00 para R$ 160,00. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo passou de R$ 4,75 para R$ 4,85. No interior do estado a cotação aumentou de R$ 7,40 para R$ 7,60.

     Em Santa Catarina o preço do quilo na integração subiu de R$ 4,90 para R$ 5,00. No interior catarinense, a cotação avançou de R$ 7,85 para R$ 8,00. No Paraná o quilo vivo passou de R$ 7,60 para R$ 7,80 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo aumentou de R$ 5,00 para R$ 5,20.

     No Mato Grosso do Sul a cotação na integração subiu de R$ 5,10 para R$ 5,20, enquanto em Campo Grande o preço permaneceu em R$ 6,80. Em Goiânia, o preço aumentou de R$ 7,90 para R$ 8,20. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno subiu de R$ 8,20 para R$ 8,50. No mercado independente mineiro, o preço passou de R$ 8,30 para R$ 8,60. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo na integração do estado mudou de R$ 4,80 para R$ 4,90. Já em Rondonópolis a cotação permaneceu em R$ 6,80.

     Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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