Escassez de soja e atraso no plantio mantêm preços em patamares históricos

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     Porto Alegre, 16 de outubro de 2020 O mercado brasileiro de soja manteve preços firmes, reforçando patamares recordes, e ritmo lento das negociações. A falta de produto determina a elevação das cotações e a movimentação escassa.

     O produtor está capitalizado. A comercialização da safra 2019/20 está praticamente completa. A safra 2020/21, em fase inicial de plantio, tem mais da metade negociada e já há negócios envolvendo a temporada 2021/22.

     Nesse momento, as atenções estão voltadas para o atraso na semeadura, devido à falta de chuvas. Esse é mais um fator que ajuda a impulsionar as cotações internas. São muitos fatores altistas, que sustentam as pedidas e fazem os compradores mais necessitados ter que elevar suas ofertas.

     A saca de 60 quilos teve indicação nessa semana a R$ 165,00 na região de Dourados (MS), o maior valor histórico. Em muitas regiões, a cotação supera a casa de R$ 160,00 a saca.

     Além da falta de produto, o mercado recebe impulso dos demais fatores para a sustentação das cotações. Os contratos futuros se aproximaram a US$ 10,70 o bushel na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), o maior valor em mais de dois anos e meio.

     Chicago é sustentado pela demanda aquecida pelo produto americano. Com o atraso no plantio no Brasil, a janela de compra chinesa nos Estados Unidos deve aumentar e isso reforçou o sentimento altista.

     O dólar segue em patamares elevados, acima de R$ 5,60. O clima de maior aversão ao risco faz os investidores procurarem opções mais seguras, como o câmbio, e ajuda a elevar a moeda. Completando o cenário positivo, os prêmios de exportação seguem firmes.

     USDA

     O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a safra norte americana de soja deverá ficar em 4,268 bilhões de bushels em 2020/21, o equivalente a 116,16 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 4,313 bilhões ou 117,4 milhões. O mercado apostava em safra de 4,292 bilhões ou 116,8 milhões de toneladas.

     Os estoques finais estão estimados em 290 milhões de bushels ou 7,9 milhões de toneladas. O mercado apostava em carryover de 360 milhões ou 9,8 milhões de toneladas. No relatório anterior, os estoques estavam projetados em 460 milhões de bushels – 12,5 milhões de toneladas.

     O USDA indicou esmagamento em 2,180 bilhões de bushels e exportação de 2,200 bilhões, repetindo a estimativa de setembro para o processamento, mas elevando as exportações, anteriormente projetadas em 2,125 bilhões de bushels.

     A produção 2019/20 está estimada em 3,552 bilhões de bushels. Os estoques finais em 2019/20 estão projetados em 523 milhões de bushels.

     O relatório projetou safra mundial de soja em 2020/21 de 368,47 milhões de toneladas. Em setembro, o número era de 369,74 milhões de toneladas.

     Os estoques finais estão estimados em 88,7 milhões de toneladas. O mercado esperava por estoques finais de 90,9 milhões de toneladas. Em setembro, a previsão era de 93,59 milhões de toneladas.

     A projeção do USDA aposta em safra americana de 116,15 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 133 milhões de toneladas, repetindo o número de setembro. A Argentina deverá produzir 53,5 milhões de toneladas, também sem alterações. A estimativa para as importações chinesas em 2020/21 é de 100 milhões de toneladas, com aumento de 1 milhão sobre o relatório anterior.

     Para 2019/20, o USDA indicou safra de 336,59 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 93,75 milhões de toneladas, enquanto o mercado apostava em 94,7 milhões. A safra brasileira teve sua estimativa mantida em 126 milhões de toneladas.

     A safra argentina foi reduzida de 49,7 milhões para 49 milhões de toneladas. As importações chinesas estão projetadas em 97,4 milhões de toneladas, contra 98 milhões previstas em setembro.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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