Preços do café recuam em NY com clima melhor no Brasil

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    Porto Alegre, 23 de outubro de 2020 – O mercado do café teve uma semana marcada por preços mais baixos na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que baliza a comercialização internacional da commodity. O robusta em Londres avançou por ajustes técnicos. No Brasil, os arábicas tiveram queda seguindo NY, enquanto o conilon sustentou-se um pouco melhor por questões de demanda e também porque o robusta avançou em Londres.

     Na Bolsa de NY, as indicações de melhora no clima no Brasil para a safra de 2021 voltaram a pesar sobre os preços. As chuvas melhoraram e possibilitaram a abertura de floradas no cinturão cafeeiro. E a umidade seguiu nesta semana, o que é benéfico para o pegamento das floradas que vão resultar na safra do próximo ano.

     Embora fale-se em perdas de produtividade pela falta de chuvas até outubro e pelas altas temperaturas, com déficit hídrico nas lavouras, o sentimento é de que agora o clima efetivamente melhorou, atenuando o problema. Os agentes na Bolsa de NY acreditam numa safra mais próxima do potencial, levando-se em conta que 2021 é ano de safra menor dentro do ciclo bienal da cultura.

     Afora as condições melhores no clima no Brasil, há uma tranquilidade no abastecimento global com a chegada agora ao final do ano da safra de importantes origens, como Colômbia e América Central, que produzem arábicas de alta qualidade, e também com a produção vietnamita do robusta.

     O Brasil vem mantendo forte fluxo nas exportações, sendo um aspecto também importante de comodidade para os consumidores. Em setembro, o país embarcou o maior volume para o mês de sua história, atingindo um total de 3,8 milhões de sacas de 60 quilos, somando cafés verdes e industrializados.

     No balanço da semana, entre os dias 15 e 22 de outubro, o contrato dezembro na Bolsa de Nova York caiu de 109,50 para 106,70 centavos de dólar por libra-peso, acumulando baixa de 2,6%. O mercado ao longo da semana não só se fixou abaixo da linha de US$ 1,10 a libra-peso como aproximou-se de outro patamar técnico e psicológico importante, de US$ 1,00 a libra-peso.

     No mercado físico brasileiro de café, a queda do arábica em NY pressionou as cotações. E a semana foi lenta nos negócios com o cenário desfavorável da bolsa. As negociações foram muito pontuais. Além das perdas em NY, o dólar comercial recuou no balanço semanal de 15 a 22 de outubro de R$ 5,626 para R$ 5,595. O arábica bebida boa no sul de Minas Gerais caiu de R$ 520,00 para R$ 515,00 a saca na base de compra na semana. Já o conilon esteve mais firme, avançando em Vitória no Espírito Santo de R$ 390,00 para R$ 395,00 a saca para o tipo 7.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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