Outubro de pressão no mercado internacional de café com chuvas no Brasil

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    Porto Alegre, 30 de outubro de 2020 – O mercado de café teve um mês de outubro de quedas nas cotações na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o arábica, que baliza a comercialização internacional da commodity. O robusta em Londres teve um desempenho um pouco melhor. Já no Brasil, os arábicas foram pressionados pela queda em NY, enquanto o conilon sustentou-se melhor novamente. O dólar em elevação contribuiu para o suporte aos preços em reais no Brasil ao produtor.

     Na Bolsa de NY, a volta de um melhor regime de chuvas ao cinturão cafeeiro do Brasil, após um longo período de falta de umidade, exerceu forte pressão às cotações. As chuvas são benéficas à abertura de floradas e ao pegamento das floradas que vão resultar na safra de 2021. A safra de 2021 é menor devido ao ciclo bienal da cultura e o déficit hídrico acumulado ao longo do ano gerou já expectativa de perda de potencial produtivo para o próximo ano.

     Embora seja cedo para se precisar os danos irreversíveis para a safra 2021, o fato é que a regularização das chuvas traz uma maior tranquilidade para o abastecimento global. Assim, a bolsa de NY em outubro rompeu para baixo a importante linha psicológica de US$ 1,10 a libra-peso.

     Além do clima no Brasil, o final do ano marca a entrada da safra de importantes origens de arábica, como Colômbia e países da América Central. O Brasil vem mantendo um forte fluxo de exportações nesta segunda metade de 2020. Basta dizer que setembro foi de embarques recordes para o mês e outubro deve confirmar forte fluxo de vendas externas, passando de 3,5 milhões de sacas.

     O primeiro trimestre da temporada comercial 20/21 (julho a setembro) encerrou com um volume embarcado de café de 10,69 milhões de sacas, o que corresponde ao avanço de 5% na comparação com igual período do ano anterior. Já a receita com a venda externa de café subiu 10%, alcançando US$ 1,26 bilhão. “Os bons números desse início de ciclo comercial reforçam a ideia de uma safra brasileira 2020 grande, bem como apontam para embarques acelerados ao longo dos próximos meses. O percentual alto de venda dos produtores e os armazéns lotados devem garantir vazão ao fluxo, bem como, reforçar a ideia de uma safra acima do esperado inicialmente”, comenta o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach.

     Outro aspecto negativo para o café em NY é a apreensão com uma segunda onda da pandemia do coronavírus pela Europa e outros países. Isso leva a fechamento do comércio e prejuízos econômicos. E o resultado em outubro foi subida do dólar, queda do petróleo e bolsas de valores e um clima geral de aversão ao risco, que também pressionou as commodities e o café.

     No balanço de outubro, o contrato dezembro do café arábica acumulou uma baixa de 5,7% até este último dia 29 (quinta-feira), quando fechou a 104,60 centavos de dólar por libra-peso. Havia fechado setembro em 110,95 centavos.

     O robusta em Londres teve melhor desempenho. Como destaca o consultor de SAFRAS, o café robusta acaba ganhando valor em relação ao arábica no mercado mundial. A passagem de um tufão no Vietnã deve trazer muita umidade à região Central Highlands (maior produtora de café do país). Os boletins meteorológicos apontam um volume de chuva acumulada até o próximo dia 29 de outubro entre 100 a 200 mm na região. O fato é que o fenômeno “La Niña” ajuda a prolongar o período de chuvas no país, o que atrapalha a colheita. A umidade em excesso, além de atrasar os trabalhos de colheita e também afeta qualidade e pode comprometer a produtividade da safra vietnamita, o que dá suporte aos preços do robusta.

     A ICE Europa (Bolsa de Londres), aponta Barabach, já ensaiava valorização frente à ICE US, buscando um ajuste diante da produção menor de robusta comparativamente ao arábica na atual temporada. O excesso de umidade no Vietnã acelerou o movimento.

     No mercado físico brasileiro de café, a alta do dólar atenuou o impacto das perdas do arábica em NY em outubro. O dólar comercial acumulou alta até o dia 29 em outubro de 2,6%, subindo de R$ 5,618 para R$ 5,765. Porém, como ressalta Barabach, o mercado segue com negócios mais cadenciados, com destaque para o maior interesse de venda do conilon depois do forte rally na ICE Europa. “No geral, o fluxo de negócios com arábica melhorou um pouco, mas ainda muito concentrado em cafés médios a mais fracos de bebida. A oferta de bebidas melhores continua muito curta, com o produtor segurando essas descrições à espera de um melhor momento para a venda”, indica.

     No balanço mensal, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais terminou setembro em R$ 530,00 a saca de 60 quilos na base de compra, mesmo valor do final de outubro (dia 29). Já o conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, avançou no mesmo comparativo de R$ 395,00 para R$ 405,00 a saca, acumulando alta de 2,5%.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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