Disparada nos preços do boi gordo pressiona margens dos frigoríficos

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     Porto Alegre, 13 de novembro de 2020 – Os preços do boi gordo mantiveram sua escalada nesta semana, desacelerando apenas a partir da quinta-feira. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ritmo de negócios apresentou mudança no final da semana, com os frigoríficos buscando efetivar compras abaixo das referências médias de preços. Algumas empresas sinalizam com férias coletivas, enquanto a estratégia de reduzir a capacidade de abate vai sendo tomada em praticamente todas as unidades, uma consequência do encarecimento da matéria-prima nos últimos meses.

    “Em linhas gerais, mesmo com o agressivo movimento de alta dos preços da carne, não houve o repasse necessário para mitigar o efeito dos avanços do preço do boi gordo, fazendo com que muitos frigoríficos passassem a operar com margens negativas. Resta saber como o pecuarista vai assimilar essa mudança de comportamento. A oferta permanecerá restrita daqui até o final do ano, avaliando que há grande dependência da oferta de confinados, uma vez que a estiagem prolongada vai atrasar a entrada de animais de safra, que devem estar aptos ao abate apenas no primeiro trimestre de 2021, assinalou Iglesias. 

    Em São Paulo, principal centro consumidor de carne bovina do país, poucos negócios foram realizados acima da linha de R$ 290,00 por arroba, e muitos frigoríficos se mantiveram ausentes, sinalizando para novos testes junto aos pecuaristas na próxima semana.

    “Os frigoríficos parecem próximos do limite, com margens encolhendo, principalmente para aqueles que operam apenas no mercado doméstico. O preço da carne bovina subiu de forma muito acentuada, mas mesmo assim não foi o suficiente para cobrir os custos”, apontou o analista.

     Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 294,00 a arroba, estáveis na comparação com a quarta-feira. Em Uberaba, Minas Gerais, os preços ficaram em R$ 285,00 – R$ 286,00 a arroba, ante R$ 285,00 a arroba. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 285,00 a arroba, contra R$ 286,00 a arroba ontem. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 280,00 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 276,00 a arroba, ante R$ 271,00 a arroba.

     Com isso, os preços a arroba do boi gordo na modalidade à prazo nas principais praças de comercialização do País estavam assim no dia 12 novembro:

* São Paulo (Capital) – R$ 295,00 a arroba, contra R$ 282,00 a arroba em 05 de novembro (+4,6%).

* Goiás (Goiânia) – R$ 280,00 a arroba, contra R$ 270,00 a arroba (3,7%).

* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 286,00 a arroba, ante R$ 276,00 a arroba, subindo 3,62%.

* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 285,00 a arroba, ante R$ 275,00 a arroba (3,64%).

* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 280,00 a arroba, contra R$ 265,00 a arroba (5,66%).

Exportação

     As exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada do Brasil renderam US$ 184,554 milhões em novembro (4 dias úteis), com média diária de US$ 46,138 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 42,009 mil toneladas, com média diária de 10,502 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.393,20.

    Na comparação com novembro de 2019, houve alta de 22,61% no valor médio diário, ganho de 35,05% na quantidade média diária e queda de 9,21% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

     Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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