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ANDEF contesta recomendação da APROSOJA a produtores sobre sementes

Porto Alegre, 04 de janeiro de 2018 – A ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal), entidade representativa que congrega indústrias de pesquisa e desenvolvimento de Defensivos Agrícolas no Brasil, manifesta sua discordância e preocupação em relação à recomendação pela Associação dos Produtores de Milho e Soja de Mato Grosso – APROSOJA/MT, de que os produtores não façam plantios para produção de sementes próprias em dezembro e sim a partir de 01/02/19.

Em nota, a ANDEF coloca:

“A redução da janela de semeadura da soja foi proposta por diversos pesquisadores do Consórcio Antiferrugem, rede que congrega a elite da pesquisa brasileira no assunto. Constitui-se na limitação do período ao qual a soja está sujeita a aplicação de defensivos agrícolas e, portanto, passível de seleção de gerações resistentes das pragas. É medida de fundamental importância na preservação da eficácia dos defensivos agrícolas, um consenso entre a comunidade acadêmica do Brasil.

Proposta pensando na somente no manejo da ferrugem-asiática, tal medida, ajuda ainda na preservação dos defensivos voltados ao manejo de outras pragas de enorme importância para o país, como os nematoides, as lagartas, os percevejos, as moscas brancas e plantas daninhas resistentes. Dados da Embrapa em 2017 notam que somente a resistência aos herbicidas tem potencial de causar prejuízos da ordem de R$ 9 bilhões ao país. Não se trata da comparação de incidência de pragas em diferentes épocas de semeaduras, mas da ponte verde criada pelas longas janelas de cultivo, principal fator causador de resistência aos defensivos agrícolas, amplamente documentada em pesquisas científicas.

É notável que, ano-a-ano, o número de lançamentos de novos princípios ativos de defensivos agrícolas tem se reduzido. As elevadas barreiras regulatórias e custos de pesquisa criam dificuldades às inovações neste setor por todo o mundo. No Brasil, especialmente, esta situação regulatória se agrava pois dos 35 produtos na fila, 28 já estão à disposição dos agricultores nos principais países competidores do agronegócio brasileiro.

Sobretudo no cenário de oferta reduzida de opções de controle, a severidade no cumprimento de medidas legislativas ganha fundamental importância no manejo fitossanitário, no intuito de preservar a sustentabilidade das tecnologias existentes.

O pujante agronegócio brasileiro desenvolveu-se a partir da união dos elos da cadeia produtiva em torno de sistemas sustentáveis de produção, que tiveram seu cerne em pesquisas científicas e discussões tecnicamente justificadas em prol do bem comum, despidas de interesses comerciais privados.

A soja, responsável por 24% do Valor Bruto da Produção Agrícola e US$ 31 bilhões de dólares anuais em exportações, merece grande responsabilidade em seu manejo fitossanitário.”

Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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Dylan Pasqua

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