Mercado brasileiro de trigo tem pouca liquidez entre menor oferta e queda do dólar

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Porto Alegre, 15 de janeiro de 2021 – Após um volume considerável de vendas de trigo no mercado brasileiro, os produtores estão retraídos atentos às safras de verão. As vendas visavam justamente abrir espaço nos armazéns para as culturas que devem começar a ser colhidas nas próximas semanas. Os preços registram alta nesta semana, mesmo com a retração do dólar, devido à menor oferta.

As recentes quedas do dólar em relação ao real indicam uma redução dos custos de importação do trigo. O momento ainda é de baixa liquidez no mercado brasileiro, mas a indústria já retomou as atividades e deve voltar às compras em algumas semanas. A busca, no entanto, será pelo produto importado, uma vez que a safra brasileira já foi praticamente toda comercializada. Segundo analistas de SAFRAS & Mercado, após a greve de 20 dias no país vizinho, a tendência é que as compras em janeiro sejam significativamente maiores do que em dezembro e do que no mesmo mês do ano passado.

Argentina

Levantamento semanal divulgado pelo Ministério da Agroindústria da Argentina indicou que a colheita de trigo da safra 2020/21 do país somava 99% até o dia 14 de janeiro, da área total prevista de 6,650 milhões de hectares. De acordo com o Ministério, na semana anterior a colheita estava em 97%. No mesmo período do ano passado, a ceifa atingia 97% dos 6,95 milhões de hectares cultivados na temporada 2019/20.

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires disse que a colheita já está finalizada. O rendimento de 2,82 toneladas por hectare é o segundo menor nos últimos dez anos. A produção é estimada em 17 milhões de toneladas, tanto pela Bolsa de Buenos Aires quanto pela Bolsa de Rosário.

USDA

A safra mundial de trigo em 2020/21 é estimada em 772,64 milhões de toneladas, contra 773,66 milhões de toneladas em dezembro. Para 2019/20, o número ficou em 763,91 milhões de toneladas. Os estoques finais globais em 2020/21 foram estimados em 313,19 milhões de toneladas, abaixo das 316,5 milhões de toneladas estimadas no mês passado. O mercado esperava 315,3 milhões de toneladas. Para 2019/20, as reservas finais são previstas em 300,09 milhões de toneladas.

A produção do cereal nos Estados Unidos em 2020/21 é estimada em 1,826 bilhão de bushels, mesmo volume de dezembro. Para a safra 2019/20, a produção estadunidense ficou em 1,932 bilhão de bushels. Os estoques finais do país em 2020/21 foram projetados em 836 milhões de bushels, contra 862 milhões em dezembro e 1,028 bilhão de bushels em 2019/20. O mercado esperava 856 milhões de bushels.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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